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�rabes t�m projetos para o Semi-�rido

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YARA AQUINO Agência Brasil A gestão de recursos hídricos nas regiões semi-áridas será um dos temas discutidos durante a Cúpula América do Sul ? Países Árabes que se realiza na próxima semana em Brasília. No ano passado, entre os dias 29 de setembro e 1 de outubro, foi promovido, em Fortaleza, um seminário preparatório para a Cúpula onde técnicos, cientistas e engenheiros de países árabes e da América do Sul apresentaram tecnologias desenvolvidas em seus países para o manejo sustentável dos recursos hídricos e abordaram temas como desertificação e condições climáticas. Quando países em desenvolvimento se reúnem é sempre positiva a troca de informações, o estabelecimento de algumas cooperações importantes?, afirma o assessor da diretoria da Agência Nacional de Águas (ANA), Henrique Chaves, representante da agência no evento. A semelhança climática entre as regiões semi-áridas dos países integrantes da Cúpula é o fator que possibilita essa ampla troca de experiências. Segundo ele, a Cúpula será a oportunidade de consolidar a troca de experiências que ocorreu durante o seminário ?esses subsídios discutidos em Fortaleza serão apresentados e discutidos pelos chefes de Estado, quem sabe resultando em acordos de cooperação técnica internacional de maneira a realizar e implementar as ações e alternativas discutidas em Fortaleza?, afirma Henrique Chaves. Durante o seminário, representantes árabes e sul-americanos visitaram a região de Petrolina para conhecer experiências e resultados de racionalização do uso de água na irrigação. ### Irrigação é a ligação entre nordestinos e países árabes ?No semi-árido brasileiro e também dos países árabes e sul-americanos a irrigação representa até 70% da água consumida nessas regiões?, informa Henrique Chaves. Os técnicos árabes se interessaram pelos trabalhos brasileiros realizados na área de previsão de vazões de rios de regiões semi-áridas e também sobre a racionalização do uso de água em fruticultura irrigada. ?Muitos países árabes e sul-americanos são produtores de frutas tropicais irrigadas. Como a irrigação consome grande parte das ofertas de água das regiões semi-áridas desses países foram identificadas experiências brasileiras que diminuem esse gasto?. Os brasileiros também se interessaram por alternativas desenvolvidas nas regiões secas dos países árabes. Pesquisadores e gestores brasileiros quiseram conhecer melhor a técnica de gestão de águas subterrâneas utilizada na região do Rio Nilo, no Egito. Para Henrique Chaves ?o Brasil pode avançar na gestão de águas subterrâneas no nordeste brasileiro utilizando as ferramentas de monitoramento e exploração do Sudão e do Egito?. Segundo Henrique Chaves a reunião preparatória apresentou bons resultados quanto à troca de informações. ?Técnicos árabes fizeram contato com técnicos brasileiros, viram as tecnologias in loco e levaram para seus países contatos, nomes e tecnologias sobre as alternativas de racionalização do uso de água?. O SEMI-ÁRIDO O Semi-árido brasileiro é um dos maiores, mais populosos e também mais úmidos do mundo. Estende-se por 868 mil quilômetros, abrangendo o norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e uma parte do sudeste do Maranhão. Vivem nessa região mais de 18 milhões de pessoas, sendo 8 milhões na área rural. Mas a chuva é mal distribuída física e temporalmente. Devido às características climáticas da região, o Nordeste possui um dos maiores índices de evaporação do Brasil, o que torna reservatórios de água pouco profundos inúteis em épocas de seca. Além disso, a água dos barreiros e açudes, baixadas onde se acumula a chuva, é geralmente poluída e cheia de vermes. Essa água é responsável por grande parte das doenças do Sertão: amebíase, diarréia, tifo, cólera. PROJETO CISTERNAS O Projeto 1 Milhão de Cisternas (P1MC) pretende construir uma cisterna para cada casa do Semi-Árido Nordestino, onde, se calcula, vivem cerca de 3 milhões de famílias. Em 2001 foi criada a Articulação para o Semi-Árido (ASA), entidade que reúne mais de 700 Organizações Não-Governamentais (ONGs) presentes no Nordeste com o objetivo de erradicar a pobreza e a fome da região. A ASA adotou um projeto já existente da Caritas (uma instituição de assistência social ligada à Igreja Católica). Após avaliação do impacto da construção de cisternas em algumas pequenas comunidades, a ASA decidiu tentar ampliar o projeto, para construir 1 milhão de cisternas que beneficiassem 5 milhões de pessoas no prazo de cinco anos. Já foram construídas 4.000 cisternas. Os planos contemplam a construção de 45 mil no primeiro ano, 138.500 no segundo, 275.400 no terceiro, 299.10 no quarto e 242 mil no quinto.

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