Economia
D�lar em baixa faz alegria de ag�ncias
A cotação rasante do dólar nos últimos dias ? a moeda subiu 0,49% na última semana, mas ainda está abaixo de R$ 2,50 ? fez a festa de operadoras e agências de viagem. As empresas já esperam aumentar em 50% suas vendas para o exterior nas férias de julho, na comparação com o ano passado. Alguns destinos, como Bariloche, já têm datas esgotadas e o turista que pretende embarcar nos próximos meses precisa planejar com antecedência. Além do vigor da moeda nacional, que torna mais barata a viagem para fora do País, a recuperação, ainda que modesta, da renda dos trabalhadores e a maior oferta de crédito ajudam a aquecer o setor. Operadoras e companhias aéreas parcelam suas vendas em até dez vezes sem juros, com o câmbio fixo da data da compra. ?Viagem é a última alternativa de despesa das famílias. E, este ano, a procura disparou. Para a América do Sul, está difícil obter vaga nos vôos?, comemora Marcello Herzage, da agência Valtat, que estima aumento de 50% na procura este ano. Na operadora Urbi et Orbi, os pacotes em dez prestações para Bariloche devem garantir o embarque de até 1.500 passageiros neste inverno, quase o dobro do ano passado. A operadora terá seis vôos fretados para a cidade argentina, contra apenas três saídas em 2004, quando o prazo para pagar era de seis meses. ?Apesar dos juros mais altos, o crédito agora está mais elástico?, afirma Mario Nascimento, gerente de planejamento da Urbi et Orbi. A CVC registrou procura tão grande que precisou reduzir o prazo de pagamento ? de dez vezes para quatro ? para limitar a demanda e atender todos os clientes. Só os pacotes para a Argentina mantiveram o prazo maior. Weber Cecchetti, gerente comercial da filial internacional no Rio, prevê aumento de 50% das vendas para o exterior este ano: ?O dólar baixo é um forte apelo emocional. E há uma forte demanda reprimida desde o 11 de Setembro?. ### Brasileiros incluem a Europa no roteiro Com o dólar ? e, por tabela, o euro ? ladeira abaixo, empresária Carma Prestes já planeja esticar sua viagem a trabalho para Londres, em junho, com uma ida a Paris. Carma vai pesquisar as vitrines do verão londrino para sua loja de roupas femininas. O euro subiu com força frente ao dólar no começo deste ano mas, na sexta fechou na sua menor cotação desde outubro do ano passado: US$ 1,26. No mercado paralelo do Rio, era vendido a R$ 3,35. Rio-Miami Os efeitos da baixa do dólar já foram sentidos na American Airlines, afirmou Dilson Verçosa, diretor da companhia área. A taxa de ocupação do vôo Rio-Miami, por exemplo, em abril deste ano, foi de 80%. No mesmo mês de 2004, era de 65%. Ele acrescenta que a forma de pagamento ? em 10 vezes sem juros e com o valor já fixo por mês ? é decisiva na hora de fechar a compra: ?Os clientes querem aproveitar a baixa do dólar, temem nova alta?, afirma. Segundo Francis Richard, diretor da Air France-KLM no Brasil, a companhia sente nos últimos dois anos a recuperação da economia brasileira: ?No ano fiscal 2003-2004, registramos recorde de 300 mil passageiros entre Brasil e França. Em 2004-2005, teremos novo recorde: 376 mil?. Após a queda do dólar, a AFS Intercultura Brasil, entidade de intercâmbios culturais, registrou um aumento de 20% no número de embarques em abril, em comparação com o mesmo período de 2004. ?Um programa que custava em torno de R$ 22 mil hoje está em R$ 17 mil. Isso faz a diferença entre ir ou não ir ao exterior?, diz Cláudio Benevides, gerente da agência, que teve aumento de 30% nos pagamentos à vista. ?Como as parcelas são associadas ao dólar, as pessoas querem aproveitar a baixa?. Marco Aurélio Bessi, gerente comercial da Shangri-Lá, lembra que um pacote Rio-Fortaleza para quatro dias sai hoje a R$ 1.100, quase o mesmo que os R$ 1.200 pagos pelo mesmo período em Bariloche. Bessi afirma que as vendas internacionais já responderam por 60% da receita da operadora em abril e espera um aumento de até 30% nas vendas para o exterior este ano.