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Bancos j� emprestam at� para camel�s

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Ele pediu R$ 1.500 emprestado para comprar mercadorias e refazer o estoque de roupas de frio e gravatas, que ele vende há mais de 15 anos, na Rua Quintino Bocaiúva, no centro de São Paulo, próximo à Praça da Sé. Satisfeito com o resultado, o paraibano Silva, que está em São Paulo há mais de 30 anos, voltou ao balcão da Fininvest três meses atrás e pediu mais R$ 2.000 emprestados a uma taxa de juro de 3,6% ao mês. ?O negócio estava totalmente caído. Fiz o empréstimo para tentar reerguê-lo. Repus estoque e hoje faturo, livre, R$ 7 mil por mês?, conta o camelô. Segundo ele, foi muito fácil conseguir o dinheiro. ?Uma pessoa da Fininvest veio até a minha banca e ofereceu?, relatou acrescentando que ?só precisei apresentar documento da barraca, atestado de moradia fixa e de propriedade do imóvel para receber o empréstimo, que nesta segunda vez foi liberado em 24 horas?, afirmou Silva. Catador de papel Paulo Lima, gerente nacional de microfinanças da Caixa Econômica Federal (CEF), disse que o crédito para baixa renda e empreendedores de pequeno porte é um grande filão. Lima comentou que um catador de papel, recentemente, pediu um empréstimo de R$ 200 para comprar um telefone celular e agilizar a busca de materiais nas empresas. A Caixa Econômica Federal tem três modalidades de crédito para esse público. O Crédito Caixa Aqui tem taxa de 2% ao mês e limite de R$ 200. O interessado abre uma conta simplificada na Caixa Econômica para receber o empréstimo. De agosto de 2003 até maio de 2005 a Caixa Econômica já fechou 721 mil operações em um total de R$ 144 milhões. Nestes casos, o cliente não precisa necessariamente comprovar o destino do crédito que foi pego no banco. ### Novos clientes são bons pagadores, afirma gerente A Caixa Econômica tem ainda o micropenhor, para empréstimos até R$ 600, e o Microcrédito Produtivo. ?Nesse último caso, o empréstimo é destinado ao pequeno empreendedor. O limite é de R$ 5 mil e a taxa de juro chega a 3,9% ao mês. Já fechamos 6.300 contratos no valor de R$ 8,6 milhões desde 2001. Há um grande interesse do banco por esse público de mais baixa renda?, afirmou Lima. A Caixa Econômica Federal se assustou um pouco com a taxa de inadimplência, que chegou a 12%, logo que os empréstimos começaram a ser feitos há alguns anos, mas Lima disse que o cliente desse tipo de crédito já se tornou um bom pagador. microcrédito A média nacional de empréstimo para o microcrédito produtivo é de R$ 1.100, segundo o gerente da CEF. Capital financeiro é o que não falta. A Caixa Econômica recebeu R$ 10 milhões de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar o crédito produtivo. Édson Monteiro, vice-presidente de varejo do Banco do Brasil, disse que muitas pessoas estão melhorando a situação financeira e mudando de vida com os empréstimos. Segundo ele, o banco, ao aumentar a inclusão social, está apostando que as pessoas de baixa renda se tornem futuros clientes mais para a frente. O Banco do Brasil começou o oferecer microcrédito para os clientes em meados de 2003, quando o governo anunciou a norma para a regulamentação do programa de microfinanças. três frentes O Banco do Brasil atua atualmente em três frentes. Na primeira delas está o Banco Popular do Brasil, que opera no setor informal da economia por meio de uma conta simplificada. Até agora são 1,5 milhão de clientes que pedem empréstimo de R$ 100 mil. ### Linha especial para aposentados O Banco do Brasil também começou a oferecer uma opção de crédito para os beneficiários da Previdência (aposentados e pensionistas). Até agora, de 1 milhão de pessoas que abriram conta, 230 mil usaram o crédito, que tem um valor médio de R$ 250 (2% de juro ao mês). Um outro programa é o BB Crédito Pronto, destinado às pessoas com renda inferior a R$ 1 mil. Esse programa foi aberto no início de 2004 e já tem 1 milhão de operações, em um valor total de R$ 490 milhões. FAT Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), até o fim do ano pelo menos 100 operadoras de microcrédito, de todo o País, terão assinado contrato que lhes garantirão acesso a recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou das exigibilidades bancárias (2% dos depósitos à vista compulsoriamente recolhidos ao Banco Central) para repasse a cerca de 200 mil empreendedores formais e informais. Ainda de acordo com representantes do Sebrae, o Conselho Monetário Nacional deve aprovar no próximo dia 19 a resolução que permitirá as operações entre as instituições financeiras e as operadoras de microcrédito. Os recursos do FAT, administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), serão repassados pelos bancos federais e agências estaduais de fomento. ### Lucro de bancos cresce 47,4% no 1º trimestre Embalados pela expansão dos empréstimos, os quatro maiores bancos privados do País aumentaram em 47,4% seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano. Um compilação da consultoria Austin Rating mostra que Bradesco, Itaú, Unibanco e Banespa ganharam juntos R$ 3,078 bilhões, contra R$ 2,088 bilhões de janeiro a março de 2004. O Unibanco, que divulgou semana passada seu balanço, lucrou R$ 401,2 milhões, 45,3% a mais. As receitas com operações de crédito dos quatro bancos somaram R$ 9,727 bilhões no primeiro trimestre, com alta de 24,3%. E, a despeito das altas taxas de juros, as indicações são de que a demanda não deve ceder tão cedo. O Unibanco reviu de 25% para até 27% a previsão de alta este ano dos financiamentos a pessoas físicas, em que os spreads (taxa de risco) podem chegar a 40% ao ano. ?Não percebemos qualquer desaceleração na demanda?, afirmou o vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia. A estimativa está de acordo com a projeção das demais instituições, ainda que um possível desaquecimento da economia possa afetar a médio prazo a geração de empregos e o aumento da renda dos consumidores. Diante do risco de alta da inadimplência, o Unibanco manteve em R$ 343 milhões o volume de provisões excedentes (acima do mínimo exigido pelo Banco Central) para os chamados créditos podres. A consultoria Economática avaliou o balanço de 80 companhias de capital aberto, que somaram um faturamento de R$ 77,359 bilhões no primeiro trimestre, com aumento de 15,2% em relação a 2004. Mais expressiva foi a variação de 55,1% no lucro: de R$ 4,718 bilhões para R$ 7,318 bilhões. Esses resultados foram puxados pelos setores exportadores.

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