Economia
S� 25% da mat�ria-prima da Soc�co � de Alagoas
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Tendo em vista a grande quantidade de coqueiros que observamos no litoral alagoano, tudo nos leva a crer que a Socôco tem nos produtores locais os seus principais fornecedores. Ledo engano. A maior parte da matéria-prima consumida pela empresa, cerca de 75%, vem do município de Mojú, no Pará. Os outros 25% advém de coqueirais alagoanos. Trazidos para o Brasil nos primeiros anos da colonização, os coqueiros que ocuparam as faixas litorâneas de boa parte do País, embora sejam opções econômicas, evoluíram pouco ao longo dos séculos. Dessa forma, a Socôco resolveu investir numa propriedade de 22 mil hectares onde desenvolve um cruzamento de duas espécies de coco, visando elevar a qualidade e a produtividade da matéria-prima. Vale ressaltar que a plantação de coco propriamente dita só ocupa 6,5 mil hectares de terra, com 800 mil coqueiros. Supercoco Os coqueiros que conhecemos são altos, o que dificulta a colheita, e dão fruto a partir de sete anos de cultivo e em pouca quantidade. Para superar essas dificuldades naturais a Socôco contratou técnicos agrícolas do Institut de Researches pour les Huilles et Oleagineaux, especialistas em palmáceas e identificou o melhor lugar para cultivar o seu supercoco. Essa matéria-prima é resultado do cruzamento do coqueiro Gigante do Oeste Africano (alto, com frutos grandes, mas em pouca quantidade) com o Anão Amarelo da Malásia (baixinho, mas com grande quantidade de frutos). Assim, a empresa quadruplicou sua capacidade, aumentando sua produção de até 40 frutos por coqueiro/ano para 160. Sem mencionar que os coqueiros dão frutos em 4 anos e têm resistência maior que os convencionais. ### Seca e taxa de importação fazem preços do coco cair No Brasil, há 235 mil hectares ocupados com coco, dando a possibilidade de se produzir de cerca de 974 milhões de frutos por ano. O País é responsável por apenas 2% da produção mundial. De acordo com dados da Embrapa, a Região Nordeste é responsável por 78% da produção nacional, sendo que o Rio Grande do Norte contribui com 11% de toda a produção nordestina. Alagoas tem 150 mil hectares de área dedicada à coqueicultura, produzindo cerca de 80 mil cocos por ano. ?No Estado há 5,3 mil produtores, dos quais apenas 1,5 mil cultivam o fruto comercialmente e em escala?, enumera eurico Uchôa, presidente da Associação dos Produtores de Coco de Alagoas (Prococo). Segundo Uchôa, a produção de Alagoas já foi maior, mas foi perdendo espaço na produção nacional por causa da competição que os produtores enfrentam do produto importado da Ásia ? continente detentor de 80% da produção mundial. ?Antes não tínhamos salvaguarda no mercado interno e perdíamos competitividade para os asiáticos que desenvolvem produção de modo predominantemente extrativista. Além disso, os custos de produção eram menores lá porque o salário mínimo pago à mão-de-obra local é de US$ 30 dólares?, explica. De acordo com Uchôa, embora o País tenha adotado salvaguardas para importação do produto, em janeiro o governo brasileiro reduziu a taxa de importação do coco de 55% para 10%. A mudança foi um contrapartida brasileira oferecida para facilitar a entrada dos medicamentos utilizados para o tratamento da Aids. ?O coco certamente foi escolhido porque corresponde a 2% do PIB agrícola?, especula Uchôa, mencionando que o alho e a pimenta-do-reino também tiveram incentivos reduzidos. Preços A medida fez com que o preço do coco, em vigor até fevereiro, despencasse de 0,50 a unidade para atuais 0,20 porque, além disso houve um excesso de produção. ?Graças à seca deste ano, nós, coqueicultores, assim como plantadores de cana-de-açúcar, antecipamos nossa safra. Só que, ao contrário do que aconteceu com o setor sucroalcooleiro ? que teve quebra de produção ? nós tivemos um excesso?, diz Uchôa explicando que o clima seco precipitou a maturação dos frutos. ?Entretanto, os preços devem se recuperar em junho porque o excesso vai se transformar em escassez daqui para frente?. |PM