Economia
Para Palocci, cr�dito pressiona infla��o
FABIANA FUTEMA Folha Online O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, admitiu ontem que os empréstimos com desconto direto em folha de pagamento ? o chamado crédito consignado ? pressionam a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Segundo ele, o efeito do crédito consignado sobre a inflação e a política de juros é de curto prazo. ?Fizemos uma reforma do crédito. Isso tem algum nível de pressão na política monetária? No curto prazo, tem. Nos médio e longo prazos ajuda a política monetária.? Mas o ministro descartou alterar os empréstimos com desconto em folha como forma de combate à inflação. ?Há uma pressão inflacionária, que precisa ser combatida. Mas não vou piorar estruturalmente o Brasil para responder a isso?, disse Palocci. O crédito consignado oferece juros menores que outros produtos do mercado porque tem menor risco de inadimplência, já que o pagamento será debitado do holerite. Por isso, a partir do lançamento dessa modalidade de crédito, trabalhadores e aposentados continuaram a encontrar opções de crédito mais barato mesmo em um ambiente de alta dos juros. O Banco Central (BC) elevou os juros básicos nos últimos oito meses, chegando aos atuais 19,5% ao ano. Hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC pode promover novo aumento. Conforme analistas de mercado, as altas promovidas pelo BC têm surtido um efeito menor porque a população tem conseguido obter crédito a taxas razoáveis, mesmo com o aperto devido justamente à criação dos empréstimos com desconto em folha. Palocci afirmou que é um equívoco pensar que ?a melhoria do crédito prejudica fundamentos? econômicos. ?A melhoria do crédito melhora o Brasil. O crédito consignado fez com que os trabalhadores brasileiros pagassem metade dos juros que pagavam há dois anos.? De acordo com o ministro, foi o trabalhador que conseguiu negociar com os bancos taxas reduzidas de juros no crédito consignado. ?Eu vou dizer que isso está atrapalhando o controle da inflação? Que Brasil que eu quero? Um Brasil em que esse trabalhador possa amanhã tomar um empréstimo por um quinto dos juros.? Câmbio Palocci aproveitou o debate sobre o crédito para defender o câmbio flutuante, alvo de críticas do empresariado brasileiro. ?Um dos elementos que fizeram o real apreciar foi a melhora do Brasil. Todo país que melhora, sua moeda aprecia. Que que eu vou fazer? Vou piorar o Brasil?? Ele contestou ameaças feitas por empresários de que o dólar barato poderia provocar desinvestimentos e demissões. Palocci disse que o saldo da balança comercial continua em alta e que o emprego formal voltou a bater recorde em abril. O diabo do câmbio flutuante é que o danado flutua. E nem sempre terá valores que agradarão a todos?, disse Palocci.