Economia
AL tem pior desempenho no emprego
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia O mercado de trabalho brasileiro abriu 266.095 vagas com carteira assinada em abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Foi o melhor resultado para o mês de abril desde o início da série histórica do Caged, em 1992. No acumulado do ano, 558.317 vagas foram criadas, representando um incremento de 2,27%. Mas, na contramão nacional do processo de criação de empregos com carteira assinada, Alagoas apresentou mais uma vez saldo negativo entre admissões e demissões no mês de abril. No Estado, 4.576 profissionais foram contratados pelo mercado formal, enquanto 7.002 perderam o emprego. De janeiro a abril, 35.761 profissionais alagoanos ficaram sem emprego (ver tabela). No total, 16.790 foram efetivados contra 52.551 demitidos no primeiro quadrimestre do ano. Se comparado com o mesmo período do ano passado, pode-se perceber que houve um redução de 8,92% no emprego formal no Estado. No País inteiro, apenas cinco estados tiveram variação negativa no mercado formal de empregos, Amapá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. porém o maior saldo de desempregados do Brasil é o alagoano, seguido pelo pernambucano com saldo negativo de 23.585 desempregados. Ao observar o comportamento das atividades econômicas geradoras de emprego no Estado pode-se obter algumas pistas para entender as razões do fenômeno do mercado de trabalho de Alagoas. No mês, a atividade Extrativa Mineral admitiu 16 trabalhadores, mas realizou 18 demissões). A agropecuária contratou 173 profissionais e demitiu 355, deixando um saldo negativo de 182 desempregados. Contudo, o segmento econômico que mais demitiu em abril no Estado foi a indústria da transformação ? do qual faz parte a agroindústria canavieira ? que contratou 927 funcionários, mas demitiu 4019 profissionais. Sazonalidade De acordo com Ricardo Coelho, delegado Regional do Trabalho, um fenômeno cíclico se repete a cada no mercado de trabalho de Alagoas. ?É sempre assim, de dezembro a abril, observamos saldo negativo entre admissões e demissões no Estado. Ao mesmo tempo que as contratações começam a ser retomadas mais significativamente a partir do mês de setembro?, analisa. Essa sazonalidade se explica, segundo o delegado do Trabalho pela extrema dependência de Alagoas em relação ao setor sucro alcooleiro. ?A falta de investimentos e de diversificação econômica do Estado fazem com que as usinas se tornem as principais geradoras de emprego?, explica Coelho. ?Então, o mercado de trabalho alagoano reage de acordo a atuação da agroindústria canavieira. No período em que começa a safra, as usinas começam a contratar, alavancando assim os números das admissões no Estado. Por outro lado, quando a safra se encerra e as usinas começam a dispensar sua mão-de-obra agrícola, cresce também o número de demissões?, descreve. Para contornar esse fenômeno cíclico no mercado de trabalho de Alagoas, estabelecendo um quadro mais estável de criação de empregos, Ricardo Coelho sugere que o Governo do Estado invista mais em uma política de atração de novos investimentos industriais, sobretudo no setor químico. ?Com matéria-prima abundante, tendo a Braskem como carro-chefe, Alagoas poderia desenvolver mais captando empresas fabricantes de produtos de limpeza ou de plástico, por exemplo?, diz. A curto prazo, Coelho imagina que uma boa alternativa seria a concretização de um projeto anunciado em 2003, mas que até hoje não foi colocado em prática. ?Empresários do setor sucroalcooleiro acenaram positivamente sobre a possibilidade de desenvolvimento de outras culturas agrícolas durante o período da entressafra nas terras das usinas e também nas dos fornecedores. Mas, a única a levar à diante a idéia foi a Usina Seresta?, conta. ### FAT poderia gerar renda na entressafra Segundo Ricardo Coelho, delegado Regional do trabalho de algoas, a proposta de incentivar o cultivo de outros produtos agrícolas nas propriedade da agroindústria canavieira não avançaram muito porque o empresariado local não se envolveu para valer. ?Muitos ficaram preocupados com os possíveis desdobramentos atrelados à questões trabalhistas?, afirma. Mas, segundo José Carlos Maranhão, uma das lideranças do setor sucroalcooleiro, e um dos sócios do grupo Maranhão (Usinas Santo Antônio e Camaragibe), as ponderações do setor foram mais complexas. ?Para levar os planos para frente seria necessário, antes de mais nada, identificar que culturas poderiam ser desenvolvidas, considerando as características diversas de topografia e clima onde estão localizadas as usinas?, diz. O que produzir? ?Para tanto, técnicos do Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) fizessem um estudo para este mapeamento?, reflete. ?Entretanto essa análise também precisaria considerar quais as culturas seriam mais viáveis economicamente, para garantir, de fato, uma boa remuneração para o trabalhador, bem como os canais possíveis de escoamento dessa produção. Afinal, não adinata nada produzir e não saber ou não ter como comercializar?, analisa. Por outro lado, Maranhão acredita a saída pode estar no incentivo de outras atividades que não sejam agrícolas para promover uma certa diversificação de atividades. ?Acho que a geração de renda poderia ser estimulada inclusive entre as mulheres dos operários, que poderiam realizar atividades artesanais de acordo com a vocação dos municípios em que estejam situadas?, afirma. Pernambuco Esta semana, uma proposta foi apresentada pelos empresários da agroindústria canavieira pernambucana para combater o desemprego agrícola no período da entressafra canavieira do Nordeste para o Grupo Interministerial do Trabalho (GTI). Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) sugeriu o governo garantisse a renda do trabalhador rural, durante os cinco meses de entressafra, utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide). Neste período, Cunha propõe que os cortadores de cana-de-açúcar passem por cursos de capacitação para aperfeiçoamento de técnicas de replantio de mudas, conciliando treinamento, produtividade e renda. Por enquanto, boa parte da mão-de-obra das usinas nordestinas migra para o Centro-Sul do País, onde a safra começa quando a da região Nordeste termina, em busca de trabalho temporário na entressafra. Prova disso é que segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araçatuba e Região, 30% dos cortadores de cana que atuam no interior paulistas são migrantes. |PM