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LUIZA BARREIROS Repórter Os grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal (PF) durante as investigações da Operação Gabiru revelaram diálogos bastante comprometedores entre prefeitos, ex-prefeitos, secretários, agiotas e empresários supostamente envolvidos com o desvio de dinheiro público. Nas conversas - que por enquanto são sigilosas e não podem ser divulgadas da forma como ocorreram, por serem mantidas em segredo de Justiça - alguns deles citariam outras autoridades que também teriam conhecimento e até participação na rede de corrupção, que segundo as investigações pode ser responsável pelo roubo de milhões destinados pelo governo federal a investimentos nas áreas de Educação, Saúde e Infra-estrutura dos municípios. Pessoas que tiveram acesso ao material colhido pela PF ficaram impressionadas como, aparentando não ter nenhum medo das conseqüências que as ações criminosas cometidas há vários anos poderiam gerar, os investigados conversavam e negociavam abertamente sobre as várias formas utilizadas para lesar os cofres públicos. Os exemplos que vazaram para a imprensa são muitos. Um prefeito investigado, por exemplo, teria negociado, por telefone, com um agiota, um empréstimo de R$ 100 mil, que seriam utilizados por ele para investimento no próprio patrimônio: a entrada da compra de equipamentos de uma indústria. A garantia dada para o empréstimo seriam quatro cheques de contas da prefeitura, onde mensalmente são depositados recursos federais. Em outras conversas, o braço privado da quadrilha, formado por comerciantes, daria todas as dicas de como os administradores devem fazer para fraudar, em procedimentos aparentemente legais, processos de licitação. A prefeitura só tinha que passar à empresa o número da carta-convite da suposta licitação. A partir daí, o empresário já ficava obrigado a entregar uma licitação pronta, com três propostas - sendo que a vencedora, é claro, seria a sua - e com a nota fiscal. Tudo como manda o figurino. Haveria ainda diálogos em que são acertadas compras de notas para acobertar rombos existentes nas contas de prefeituras. Em outro, um prefeito faria comentários em relação ao apetite voraz que um comerciante estaria tendo em relação ao desvio de verbas públicas. ?Fulano (referindo-se ao comerciante) está com a boca muito grande?. Apesar da riqueza dessas provas - que serviram como base para a decretação da prisão temporária dos envolvidos, pelo desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Marcelo Navarro -, o sucesso da Operação Gabiru só deverá ficar confirmado após a análise de todos os documentos e arquivos de computadores apreendidos nos 61 locais onde a Polícia Federal efetuou operações de busca e apreensão. Na quinta-feira, cerca de 20 técnicos e auditores da Controladoria Geral da União (CGU) começaram a analisar os documentos, na sede da Polícia Federal. Os principais alvos são processos de licitação que teriam sido forjados para direcionar a vitória para as empresa Suevit e K.O. Santos, do ex-prefeito de Rio Largo e empresário Rafael Torres, apontado como sendo o líder do esquema. Como nos diálogos foram citados números de processos e de cartas-convite supostamente fraudados, e, pela data da gravação, é possível estimar a data em que ocorreram as operações, o trabalho dos técnicos ficará mais facilitado e poderá ser feito de modo direcionado. Mas a maior expectativa do Ministério Público Federal e da própria PF é de que a análise dos documentos, principalmente os apreendidos na sede da Suevit, possam levar a indícios de fraude em outras prefeituras e órgãos da administração pública que negociaram com as empresas. O grande número de auditores convocados para participar da operação é justificado pelo curto tempo que a polícia dispõe para encontrar provas fortes o suficiente para, ao final dos dez dias da prisão temporária, pedir a decretação da prisão preventiva dos acusados ou pelo menos instruir o inquérito de modo que permita denunciá-los à Justiça pelos crimes dos quais são suspeitos. Mesmo que eles respondam ao processo em liberdade. A prisão temporária dos acusados aconteceu simultaneamente à ação de busca e apreensão de documentos porque a primeira se justifica como uma medida de auxílio nos trabalhos de investigação. Ou seja: se há indícios de existência de crime - que no caso foram comprovados pelas escutas telefônicas -, as prisões são decretadas temporariamente para que a polícia possa aprofundar as investigações sem que os investigados combinem depoimentos, intimidem co-autores, parceiros e testemunhas para não serem delatados, além de destruir provas ou até mesmo fugir do Estado de Alagoas.

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