Economia
D�lar baixo ajuda na venda de carro
AGÊNCIA O GLOBO As importações de veículos estão apresentando um forte avanço no rastro do crescimento da economia e da desvalorização do dólar este ano. Uma análise nos dados da balança comercial, até a segunda semana deste mês, mostra um aumento de 56,6% na média diária de importações do segmento em relação a maio de 2004. Em abril, as importações de automóveis de passeio já tinham subido 48,6% em relação ao mesmo mês em 2004, revela o Ministério do Desenvolvimento. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram um aumento de 29% nas vendas de veículos importados no primeiro quadrimestre em relação ao mesmo período em 2004. Foram vendidas 23.500 unidades, contra 18.200 no ano passado. ?A causa disso é o dólar. É lógico?, diz um representante da associação das montadoras. André Luiz Bulhões, da concessionária Honda Hig diz que o dólar mais baixo está atraindo mais consumidores. As vendas são poucas, apenas 20 unidades desde o começo do ano, mas quem comprou gostou do preço, que estão entre 10% e 15% mais baixos. ?O modelo Accord, que em meados do ano passado estava sendo vendido por R$ 117 117 mil, passou para R$ 98 mil. O utilitário CRV, que era vendido por R$ 127 mil, está custando agora R$ 115 mil?, disse Bulhões. As revendedoras filiadas à Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) - que não inclui as montadoras instaladas no país - fecharam o primeiro quadrimestre do ano com alta nas vendas de 30,4% em relação a igual período de 2004. No atacado, o aumento foi de 40,8% em relação aos números registrados no ano passado. Apesar do avanço nas vendas, os importadores independentes reclamam e garantem que não estão sendo favorecidos pela queda do dólar (só nos últimos seis meses a moeda caiu mais de 10%). Eles insistem em cobrar do governo a redução da alíquota de importação de carros. ?Ainda é cedo para falar em tendência de alta nas vendas. Ainda não mudamos a nossa projeção para este ano. Primeiro devemos rever um entrave no setor, que é a alíquota de 35% de importação. Sem cota para a importação desde o ano 2000, fica difícil elevar as vendas aos patamares de anos atrás?, afirma Luiz Carlos Melo, diretor executivo da Abeiva. Para Melo, o crescimento da economia e da venda de bens duráveis é a principal causa da alta. O fato é que, nos últimos meses, o euro também se desvalorizou em relação ao real, o que, também deixa os modelos europeus mais baratos. Segundo dados do Banco Central, a queda da moeda européia em relação ao real nos últimos seis meses é maior até que a do dólar (13,29% contra 10,48%).