Economia
Empres�rios e consumidores insistem no GNV
AGÊNCIA O GLOBO Empresários e consumidores garantem que vão continuar acreditando e investindo no uso do gás natural em veículos, o GNV, apesar das declarações do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, de que o governo não vai estimular o uso do combustível para evitar riscos de desabastecimento no futuro. A distribuidora Ipiranga já tem 142 postos com GNV, com investimento por posto em média de R$ 1,2 milhão. ?Essas declarações nos preocupam, mas vamos continuar investindo no setor. Neste ano devemos inaugurar entre 20 a 30 postos?, afirmou gerente da Divisão de Planejamento da Ipiranga, Ricardo Maia. A rede Forza, de bandeira branca, tem 22 postos, dos quais 18 com GNV. O diretor do grupo, Alecionoldo Sodré, disse que vai continuar investindo em GNV. O Rio concentra 40% da frota de carros a gás do País, que já chega a 921 mil veículos. O governo do Estado informou que manterá o incentivo ao uso do GNV e que vai entrar na Justiça caso o governo federal adote alguma medida que prejudique os consumidores. A informação é do secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer. Ele garantiu que o Rio continuará dando descontos no IPVA e no ICMS: ?É um absurdo querer não estimular o uso do GNV. Só no Rio, os carros a gás permitem uma redução de 380 mil toneladas anuais na emissão de gás carbônico?, afirma. Taxistas O coordenador do GNV do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), Rosalino Fernandes, disse que o setor já investiu R$ 30 bilhões e emprega cem mil pessoas. O consumo de GNV é de 5,2 milhões de metros cúbicos por dia, 14% do consumo total de gás natural, de 38 milhões de metros cúbicos por dia. ?É inacreditável a declaração do governo?, disse Fernandes, lembrando que o consumo da frota convertida é menor que os 7 milhões de metros cúbicos por dia que a Petrobras queima na Bacia de Campos. Muitos consumidores ficaram preocupados, como o taxista Cláudio Gonçalves, que tem carro a gás há dez anos e aguarda a adaptação de seu mais novo veículo. Ele gasta, por mês, mil reais para abastecer com gás. Se usasse gasolina, gastaria R$ 2.500. ?Em três meses pago o valor do kit. Não sei como ficará essa relação entre custo e benefício. Mas qualquer prejuízo que tiver no bolso vai me deixar, mais uma vez, desacreditado em relação à política econômica do País?, desabafa. cem milhões A Petrobras pretende atingir a oferta de cem milhões de metros cúbicos por dia em 2010, incluindo os 30 milhões importados da Bolívia. Para todos os especialistas o risco de faltar gás só existirá se a Petrobras não executar os projetos previstos para aumentar a oferta.