Economia
OCDE eleva previs�o de PIB brasileiro
AFP A América do Sul registrou ano passado um crescimento médio superior a 5%, o maior dos últimos 20 anos, com o vigor da reativação econômica do Brasil, principal economia da região, de acordo com um relatório semestral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado ontem. Nas principais economias sul-americanas ?o dinamismo da demanda, estimulada pela melhora do emprego e dos salários, continua alimentando o crescimento?, afirma o documento. O panorama da região desenhado pela OCDE é otimista: aumentam as exportações (beneficiadas pelo alto custo das matérias-primas e a alta demanda dos países industrializados e da China) e disparam as importações (empurradas pelo consumo e pelos investimentos privados). A Organização, que reúne 30 países industrializados, garante que o crescimento na América do Sul deve ?continuar em 2005 e 2006, embora a um ritmo menos sustentado que em 2004?. No Brasil, o PIB aumentou mais de 5% em 2004, o crescimento mais forte registrado nos últimos 10 anos, segundo a OCDE. ?Este crescimento tem suas raízes na boa saúde do consumo interno, favorecido pela alta dos salários reais, a queda do desemprego e a reativação dos créditos ao consumo?, explica a OCDE. ?Além disso, a reativação dos investimentos foi mais acentuada que o previsto, devido às condições favoráveis de mercado?, analisa. No comércio exterior brasileiro, ?as exportações aumentaram, mas que as importações, levando a balança comercial e de pagamentos a registrarem superávits recordes?. Isso tornou a economia brasileira menos dependente do financiamento externo e, portanto, mais resistente aos choques financeiros. Expectativas A OCDE destaca ainda que os resultados do Brasil foram ?melhores que o previsto? em 2004. A meta de superávit primário consolidado, de 4,5% do PIB, foi ?ligeiramente superada?. ?As perspectivas de crescimento do Brasil são satisfatórias?, garante a OCDE, embora a atividade possa desacelerar um pouco em 2005 e 2006, como no resto da região. No Brasil, este desaquecimento poderá ser atribuído especialmente ao enrijecimento da política monetária a curto prazo, destaca a Organização. Os intercâmbios com o exterior também devem continuar contribuindo de forma positiva para o crescimento brasileiro, segundo a OCDE, que aposta num aumento de 3,7% do PIB brasileiro em 2005, e 3,5% em 2006, após ter registrado 5,2% em 2004. Vale ressaltar que a OCDE elevou sua estimativa de crescimento brasileiro para 3,7% em 2005, contra 3,6% da estimativa inicial. Com relação à inflação, a OCDE prevê 6,3% para o Brasil em 2005 e 5% em 2006, após o percentual de 7,6% em 2004. Mas a OCDE adverte: ?as pressões inflacionárias podem se manter por causa da alta dos preços do petróleo e das matérias-primas, prolongando o aperto da política monetária?.