Economia
Livre com�rcio de carros � adiado
EFE Agência A Argentina adiará até 2008 a aplicação de um acordo de liberalização do comércio de automóveis com o Brasil, medida que tem o objetivo de abrir um período de transição para equilibrar o intercâmbio comercial no setor. A decisão foi confirmada pelo secretário da Indústria da Argentina, Miguel Peirano, durante um fórum empresarial da União Industrial Argentina, que terminou ontem na cidade de Mar del Plata. ?Não haverá livre comércio para os automóveis até 2008. Na próxima semana assinamos esse acordo?, antecipou o secretário. Antes de liberar o comércio de veículos com o Brasil, a Argentina pretende negociar um plano que reduza as diferenças entre os setores automobilísticos de ambos os países, já que as grandes companhias multinacionais diminuíram seus investimentos no Brasil. Para atrair as montadoras, o governo argentino pensa em dar incentivos às empresas, como redução das retenções às exportações se as mesmas superarem o montante das vendas ao exterior que realizaram em 2004. O acordo de livre comércio deveria entrar em vigor em 2006, mas em setembro do ano passado a Argentina já havia adiantado sua intenção de adiá-lo devido à grande penetração que as montadoras estabelecidas no Brasil têm no mercado argentino, onde abocanham 60% das vendas. Divergências O governo brasileiro não vai aceitar o sistema de salvaguardas defendido pela Argentina contra os produtos brasileiros, disse o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, semana passada. ?Acreditamos que os setores produtivos do Brasil e da Argentina podem realizar acordos. Sugerimos ao governo argentino que não utilizemos mecanismos de salvaguardas porque esse instrumento vai no sentido contrário do aprofundamento do Mercosul?, disse Palocci. O ministro Palocci disse, no entanto, que não se opõe a que as salvaguardas sejam sugeridas em uma nova proposta. A Argentina tem defendido que o mecanismo de salvaguardas pode ser usado mais amplamente sempre que a indústria de um dos países se sentir ameaçada pela entrada de importações em volume que seja considerado inadequado. Para o presidente Néstor Kirchner, o ?establishment? (classe dominante) paulista terá o monopólio da indústria na América do Sul se não forem adotadas medidas que colaborem para equilibrar o comércio. Palocci disse que ?os empresários brasileiros do vinho, do arroz, da cebola, do trigo fazem a mesma reclamação que os empresários argentinos. O problema existe nos dois lados?. Segundo ele, a quantidade de investimentos na Argentina irá melhorar. ?A Argentina fez uma operação de êxito e o ministro Lavagna pode mostrar um superávit sólido nas contas públicas.?