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Valor agregado gra�as � luz do sol

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PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Apesar dos incentivos atuais dados à produção da agricultura familiar, ainda são muitos os desafios dos pequenos trabalhadores rurais. O maior deles talvez seja o da comercialização. Na prática, mais do que plantar, a garantia de um patamar de renda que viabilize a atividade agrícola e garanta uma vida digna aos trabalhadores, depende das culturas escolhidas, do seu valor de mercado ou de manejos que agreguem valor ao produto ? o que requer investimento em tecnologia e em capacitação aos produtores. Na cidade alagoana de Pão de Açúcar, situada a 239 km de distância de Maceió, na região do Vale do São Francisco, parece que a difícil equação parece ter sido solucionada. Uma idéia simples e de custos reduzidos promete dar um novo impulso à vida econômica da comunidade carente da Ilha do Ferro. Lá os agricultores desenvolvem uma agricultura orgânica ? sem uso de agrotóxicos, defensivos agrícolas e fertilizantes químicos ?, onde o forte é a produção de banana e de tomate. Os orgânicos por si confeririam pelo menos 20% a mais de remuneração em relação aos produtos cultivados convencionalmente. Entretanto, a remuneração ainda não permitiria um salto consistente em termos financeiros por causa da pequena escala de produção da comunidade. Por isso, há um ano, uma ONG alagoana vem investindo no desenvolvimento de um secador de vegetais à base de luz solar que está permitindo que 25 famílias da comunidade transformem a banana in natura em banana passa, cujo valor de mercado é dez vezes maior do o produto fresco (ver quadro). O mesmo processo é aplicado ao tomate que, quando seco, fica com o preço mais elevado e tem acesso direto ao mercado gastronômico, mais especializado. Investimento ?A tecnologia para beneficiar as frutas já existia, o problema era torná-la acessível as comunidades de baixo poder aquisitivo?, diz o engenheiro José Roberto Fonseca, diretor presidente do Instituto Eco Engenho, responsável pela implantação do projeto. Tornar acessível, significa em termos concretos tornar possivel o processamento dos vegetais sem o uso da energia elétrica convencional. Pois o preço seria proibitivo para comunidade, tirando a competitividade do preço final do produto. Dessa forma, a ONG desenvolveu um secador solar porque o sol, este sim brilha gratuitamente para todos e tem em abundância na região. A redução de custos com energia, no caso, pode chegar a R$ 17 mil por ano. Para o desenvolvimento do secador, a Eco Engenho ? ONG cuja especialidade é criação de tecnologias aplicadas ao desenvolvimento sustentável ? investiu antes de mais nada em um pequeno fabricante de mobiliários da região: a Solar Móveis. No total foram aplicados R$ 50 mil na empresa e no equipamento. Hoje, cada um sai por R$ 1 mil, mas pode ser implantado nas comunidades em regime de comodato. Os recursos para o projeto vieram da E + CO, uma empresa americana que financia pequenos projetos de energia renovável. Com placas que captam o calor do sol, o secador de frutas funciona por efeito estufa. Ele tem dez bandejas que comportam 20 dúzias de bananas, por exemplo. O tempo médio de secagem é de dois dias. No total, para produzir 60 quilos de banana passa são necessários 15 dias de processamento. ### Arapiraca e Maragogi estão na mira ?Desenvolver e replicar, esse é o nosso objetivo?, é como resume José Roberto Fonseca, diretor presidente da Eco Engenho os próximas passos do projeto. A idéia é levar os secadores de frutas e vegetais solares as cidades de Arapiraca, Maragogi e União dos Palmares, onde também são cultivados produtos orgânicos na agricultura familiar. Mas, segundo Fonseca, na comunidade da Ilha do Ferro ainda há muito por fazer. ?Agora estamos está sendo trabalhado entre as lideranças do grupo a idéia de acesso a políticas públicas de incentivo à produção, como o microcrédito e ao programas oficiais de apoio a agricultura familiar, o que exige um trabalho de informação e mobilização?, analisa. Outro passo importante também está sendo dado em relação ao escoamento da produção beneficiada nos secadores solares. ?Os produtos da comuidade têm forte apelo para serem introduzidos nos mercados solidários, diz o diretos presidente da ONG, mencionando uma tendência internacional de comércio, que começa a ganhar corpo no País que enfatiza, entre outros ideias, a valorização de produtos que sejam fruto do trabalho de comunidades carentes ou núcleos de indivíduos excluídos. ?A comunidade tem obtido bom resultado de vendas avulsas, mas estamos batalhando para que tomates secos e as bananas passas da Ilha de Ferro cheguem aos supermercados para fechar a ponta do mercado. Já estamos negociando com algumas redes, sensibilizando-as em relação ao produto que poderia ser vendido com uma espécie de selo social?, conta, mencionando que uma delas é a rede de supermercados alagoana, Via Box. Outra meta importante, e que daria impulso a comercialização do produtos seria a introdução deles na merenda escolar das escolas municipais. Outros projetos Além dos secadores de frutas á base de luz solar, a Eco Engenho também já desenvolveu outras opções alternativas e baratas para viabilizar a produção agrícolas, inclusive no semi-árido. Uma delas é o dessalinizador de água solar térmico instalado na comunidade Várzea do Marinho, no Município de Ouro Branco, Alagoas. Ainda na comunidade da Ilha do Ferro, a Eco Engenho contruiu um biodigestor, que utiliza esterco de gado para produzir ao mesmo tempo fertilizante natural e gás para ser utilizado em cozinha, por exemplo. Esse gás vai permitir a retomada do funcionamento de uma padaria que estava desativada por falta de recursos para comprar o gás GLP (de cozinha). Na comunidade de Baixas, localizada no município de São José da Tapera, a 220 km da capital alagoana, a Eco Engenho desenvolveu um projeto de irrigação com o uso de energia solar fotovoltaica que possibilitou a produção de hortaliças por hidroponia ? técnica de cultivo dentro de estufas sem uso de solo. Os nutrientes que a planta precisa para seu desenvolvimento e produção são fornecidos somente por água enriquecida, com solução nutritiva, unindo os elementos necessários: nitrogênio, potássio, fósforo e magnésio, por exemplo, dissolvidos na forma de sais. E ainda em Alagoas, para a empresa Operárias de Mel, a ONG implantou uma estufa que funcionada à luz solar para fazer a secagem de pólen das flores transportados pelas abelhas durante a produção de mel. Esse produto que tem boa aplicação na indústria de produtos naturais.|PM

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