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China amea�a retaliar Brasil

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CLARICE SPITZ Folha Online A China ameaça retaliar comercialmente o Brasil, caso o governo Lula leve adiante a idéia de adotar barreiras contra a entrada de produtos chineses, segundo o cônsul comercial Zhang Jisan. Empresários brasileiros, especialmente do setor têxtil, defendem a adoção de cotas e de salvaguardas para proteger a indústria nacional do que chamam da ?invasão de produtos baratos? da China. ?Se o Brasil adotar salvaguardas, a China também pode adotar salvaguardas. O governo chinês defenderá as empresas chinesas. Mas nós temos um bom relacionamento com o governo brasileiro?, disse Jisan ontem a uma platéia de empresários do setor eletroeletrônico. O cônsul chinês afirmou que pretende negociar com o governo brasileiro uma forma para evitar esse enfrentamento. ?O governo brasileiro saberá agir de forma adequada. Não vamos tomar nenhuma atitude leviana que prejudique a relação bilateral?, disse. O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, disse que o Brasil pretende consultar o governo chinês quando houver ameaça de danos ao comércio antes de adotar as salvaguardas. ?Regulamentar a possibilidade das salvaguardas não significa que o Brasil vai aplicá-las?, afirmou. Tanto Ramalho quanto Jisan disseram que uma eventual adoção de salvaguardas poderia ocorrer, sobretudo, no setor têxtil, que representa a maior parte das importações brasileiras da China. Entre janeiro a abril deste ano as importações provenientes da China tiveram crescimento de 58,3% ante o mesmo período do ano passado, chegando a US$ 1,437 bilhão. Na área têxtil, houve incremento de 148% e no caso dos produtos de vídeo, o aumento foi de 227%. As salvaguardas podem ser aplicadas por meio de cotas às importações provenientes da China, sobretaxas ou as duas formas combinadas. As salvaguardas poderão aparecer em dois decretos: um para têxteis que terá validade até 2008 e outro para os demais produtos válido até 2013. De qualquer forma, as salvaguardas só serão adotadas após um período de investigação, que pode durar entre dois e oito meses ? abaixo do prazo considerado normal pelo ministério, que é de 12 meses. A decisão final será dos ministros que fazem parte da Camex (Câmara de Comércio Exterior) ? entre eles estão Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Antonio Palocci (Fazenda) e Celso Amorim (Relações Exteriores). O uso desse instrumento de defesa comercial contra a China está previsto no acordo de adesão da China à OMC (Organização Mundial de Comércio), em dezembro de 2001. O país admitiu a aplicação de salvaguardas contra os produtos chineses por um período de 15 anos. Estados Unidos, União Européia e Argentina já regulamentaram salvaguardas contra a China.

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