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Laranja Lima alagoana busca mercado

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IVAN NUNES Repórter Santana do Mundaú - O Estado de Alagoas é um dos maiores produtores brasileiros de laranja Lima - fruta de baixa acidez - mas tem como único destino o mercado interno. Com uma área plantada superior a 4.428 hectares e uma produção estimada de 35 mil toneladas, os produtores do fruto buscam novos destinos para incrementar as vendas. O município de Santana do Mundaú, na Zona da Mata alagoana, concentra o maior número de produtores da fruta no Estado. Os mais de dois mil plantadores do município continuam sustentando a liderança na produção e comercialização, para os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Segundo dados da Associação dos Plantadores de laranja Lima, semanalmente saem de Santana do Mundaú cerca de 40 a 50 pequenos caminhões com suas cargas já vendidas o que faz com que a cidade mantenha sua performance como campeã na venda do produto. Segundo Solange Freire, com 24 mil pés de laranjas plantados, ?a boa safra tem sido evidente, mas o preço do milheiro da laranja tem levado os produtores a vender o fruto a preços bem fracionados?. A citricultura de Alagoas tem como diferencial a sua produção baseada no cultivo exclusivo de laranja Lima, particularidade que destaca o Estado como o principal produtor desta variedade no Nordeste. ?Esta semana o milheiro da laranja Lima estava sendo negociado a R$ 35, no ano passado o valor real do fruto era de R$ 50?, reclama Solange. Para o presidente da Associação dos Produtores de Laranja Lima, Antonio Carlos, os associados comemoram essa boa safra, mas todos estão endividados com o Banco do Nordeste. ?É necessário que haja socorro por parte da instituição de crédito no sentido de novos refinanciamentos, até porque cinco mil reais para custeio como vêm sendo liberados é pouco?, lamenta. Toda essa euforia dos produtores de laranja Lima nos últimos dias é atribuída à forte chuva que cai na região, o que faz até com que os associados venham por alguns momentos esquecer o pagamento dos empréstimos contraídos há quase dez anos e que devido às questões climáticas tiveram suas safras comprometidas, inviabilizando assim que compromissos junto com o BN fossem honrados ao longo dos anos. ### Produtores querem modernização PRÓXIMO PASSO É INVESTIR FORTE NA INDUSTRIALIZAÇÃO E FABRICAÇÃO DE POLPA PARA MERCADO A boa notícia nos últimos meses, e que tem sido o desejo todos os produtores, é consolidar a produção com a industrialização do suco da laranja Lima, como já ocorre com outros tipos de laranjas que são vendidos nos supermercados. Por conta disso, os produtores buscal solulções para alavancar os negócios e ampliar a exportação do produto. A safra atual é uma das melhores dos últimos tempos, mas ainda longe da produtividade que pode alcançar. A categoria agora busca parceiros no sentido de industrializar o suco da laranja lima, e para isso o técnico agrícola da Emater-AL, Ademir Simião, viaja esta semana ao município baiano de Cruz das Almas, para buscar parceiros, já que em recente encontro de produtores de laranjas existiu interesse de empresários do setor em industrializar o suco. Novos nichos Donas de casas têm demonstrado várias maneiras de uso da laranja a partir do seu suco natural. Elas dispõem de receitas de bolo, licor, musse, doce e incenso da casca da laranja lima produzida em Santana do Mundaú. A expectativa também é atender nichos de mercado formado por crianças, pessoas convalescentes e de origem das regiões tropicais, mais acostumadas a frutos de baixa acidez. Concentrada no Vale do Rio Mundaú, a cultura dos citros tem o município de Santana do Mundaú como sua principal referência e maior centro de produção. Retrospecto Um retrospecto histórico identifica meados do século passado, mais precisamente o ano de 1957, como o início da citricultura no Vale do Mundaú, a partir da iniciativa e introdução de mudas feitas pelo Engenheiro agrônomo Camilo José da Rocha, na época Chefe da Estação Experimental da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Posteriormente, diante do comportamento das plantas e da alta qualidade dos frutos, surgiram os plantios comerciais de maior porte. Dois aspectos ressaltam o potencial da atividade citrícola em Alagoas: primeiramente, a questão relacionada com o aspecto climático; em segundo lugar, está a tradição da cultura da laranja Lima.

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