Economia
Em dois dias, governo libera R$ 4,17 bi
AGÊNCIA O GLOBO O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, total de riquezas produzidas no País) no primeiro trimestre ? que revelou desaceleração da economia e freio nos investimentos ? e a crise política detonada pela CPI dos Correios sacudiram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que articulou estratégia para mostrar à sociedade que o governo não está parado. Ele exigiu dos seus ministros o desengavetamento de projetos até agora parados por falta de verbas. Só nos últimos dois dias, o governo decidiu liberar recursos que já chegam a R$ 4,17 bilhões para as áreas de saneamento, agricultura e estradas. A primeira reação da área econômica foi para o saneamento básico. No início da tarde da última quinta-feira, os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente do Banco do Central (BC), Henrique Meirelles, fizeram por telefone uma reunião de emergência do Conselho Monetário Nacional (CMN) e ampliaram em R$ 250 milhões o limite de endividamento da Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS para aplicar em saneamento. Com isso, os recursos para o setor este ano chegarão a R$ 3,150 bilhões. A demanda era do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, que estava pressionando o governo. ?A atividade econômica será empurrada pelos investimentos do governo. Temos condições de reduzir o superávit (economia para pagar juros) para ajustá-lo à meta de 4,25%, pois hoje está próximo a 7%. Isto nos dá a garantia de que a economia crescerá este ano 4,5%. É com este percentual que trabalhamos?, disse Paulo Bernardo. O ministro do Planejamento explicou que, na prática, o governo está liberando R$ 750 milhões. Isto porque, disse ele, na consulta ao CMN por telefone ficou acertado pelos ministros que os R$ 500 milhões que não foram aplicados em 2004 seriam revalidados para este ano.