Economia
Mercado de trabalho informal tende a crescer
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia A lógica do capital pretende buscar inovações tecnológicas que reduzem a necessidade do uso intensivo de mão-de-obra, restando espaço para profissionais cada vez mais eficientes e com bom nível de formação. Mas, o que acontece com o grande contingente de trabalhadores que estão sendo excluídos do mercado formal de trabalho por não corresponderem a expectativa de mercado? Vão para o mercado informal. É o que mostra o levantamento da economista Luciana Caetano, intitulado Uma análise do mercado de trabalho informal no Estado de Alagoas durante a década de 90, na perspectiva da sustentabilidade. O lançamento do estudo da alagoana coincide com a divulgação recente da pesquisa Economia Informal Urbana realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Sebrae e converge em muitos pontos. ?O mercado informal de trabalho tem baixo padrão de organização, nível de concorrência elevado, jornada de trabalho longa e traz margem de rendimento e de lucros baixa?, descreve resumidamente a economista. De fato, segundo o IBGE, em Alagoas dos 167.549 empreendedores do mercado informal 39,6% têm até o ensino fundamental de estudo e 21,26% deles se dizem sem instrução ou com um ano de estudo apenas. Apenas 3% dos 167,5 mil empreendedores tem nível superior completo. Neste universo, Cerca de 44% dos entrevistados afirma que abriu seu pequeno negócio porque não encontrou emprego no mercado de trabalho, enquanto 16,5% deles diz ter virado empreendedor para aumentar a renda da família. O rndimento médio destes profissionais ? a esmagadora maioria, 152,5 mil, representa o contingente de profissionais que atuam por conta própria ? obtém rendimento médio de R$ 436. ?Com rendimentos baixos, a margem de investimento no próprio negócio fica inibida e com ela as chances de crescimento dos próprios empreendimentos?, reflete a economista. Segundo Luciana Caetano, o grande problema por trás da realidade do mercado informal é que estes trabalhadores tendem a repetir o padrão de baixa qualificação profissional a cada geração, condenando seus filhosa também atuarem neste segmento. ?Sem condições de investirem na formação dos seus filhos e sem poder contar com o aparato do Estado para dar este salto qualitativo, a tendência é a de que o mercado informal de trabalho cresça, horizontalmente, cada vez mais?, analisa.