Economia
Programa Estado Exportador chega a AL
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia A balança comercial alagoana é superavitária. Ou seja, o saldo financeiro com exportações é sempre superior ao das importações, respeitando a antiga máxima do universo econômico que defende que é preciso vender mais para o mercado externo do que comprar dele. O volume de divisas que entraram no Estado via exportações tem crescido a cada ano. De 2003 para 2004 houve um incremento de 26,8% nas vendas externas que somaram US$ 457 milhões. Só nos quatro primeiros meses deste ano, as exportações tiveram alta de 43,58% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando US$ 264 milhões. Melhor impossível, concorda? Bem, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) discorda. O governo federal tem metas mais ambiciosas para Alagoas e todos os estados brasileiros cujas vendas internacionais não superaram os US$ 500 milhões em 2004. Por isso, esta semana, no dia 16, representantes do MDIC estarão no Estado para implantar um programa chamado Estado Exportador. ?Agora, não é apenas o sul e o sudeste que ajudam a alavancar as exportações brasileias?, diz o o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho. ?Das 27 unidades da federação, 26 apresentaram crescimento nas vendas externas?, reforça. Segundo Ramalho, o Estado Exportador é uma boa oportunidade para o empresário que já está pronto para inserir seu produto no mercado estrangeiro mas ainda não sabe como. ?A parceria entre governo federal e estados faz com que o empresário brasileiro tire suas dúvidas e encontre o apoio que necessita para começar a exportar?, afirma. Programa Com a implementação do programa, o Ministério do Desenvolvimento espera pela menos um incremnto de 20% nas exportações de Alagoas. Em parceria com instituições como Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea) o MDIC pretende adotar medidas como a capacitação empresarial, adequação de produtos e processo de produção para estimular a participação de pequenas e médias empresas no mercado internacional. Alagoas será o décimo lestado a receber o programa, lançado em abril do ano passado. A primeira fase do Estado Exportador passou pelo Distrito Federal e estados como o Acre, Amapá, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Estas unidades da Federação não ultrapassavam os US$ 100 milhões anuais nas vendas para o mercado externo. Depois do Estado Exportador, houve o cumprimento da meta de 20% estipulada pelo programa. Rondônia e Tocantins ultrapassaram a meta de US$ 100 milhões estipulada pelo MDIC. O Tocantins passou de um faturamento de US$ 45,5 milhões com exportações em 2003 para US$ 116 milhões em 2004, com aumento de 157%, e Rondônia de US$ 97 milhões para US$ 133 milhões, com 37% de crescimento. Os demais estados aumentaram suas exportações, mas ainda não chegaram à meta. O Distrito Federal faturou US$ 28 milhões com exportações em 2004, o Amapá US$ 46,8 milhões, o Acre US$ 7,6 milhões, Sergipe US$ 47,6 milhões, Roraima US$ 5,2 milhões e o Piauí US$ 73 milhões. Juntas, as oito unidades exportaram US$ 459,6 milhões em 2004, contra US$ 284,3 milhões em 2003. Mesmo com incremento nas exportações verificado nos últimos anos, Alagoas que, em 2003, ocupava a 17ª posição, perdeu uma posição no ranking dos estados exportadores do país, em 2004. Um dos fatores que inibem uma melhor performance nas vendas é a alta concentração na pauta de produtos exportados. Segundo o relatório do MDIC sobre o quadrimestre, 99,43% das exportações alagoanas estão atreladas aos produtos do setor sucroalcooleiro (álcool, açúcar e melaço) e produtos químicos da Braskem. Mas, segundo Ramalho, a diversificação da pauta é uma das principais metas no Estado.