Economia
Discurso de Jefferson anima Bovespa
PAULA DIAS Globo Online O alívio com a ausência de provas contra o governo fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abandonar uma forte queda no período da tarde, para fechar em alta de 3,38%, com 25.744 pontos e volume financeiro de R$ 2,164 bilhões. Com o resultado de ontem, a bolsa paulista inverteu a queda que acumulava no mês, passando a registrar alta de 2,13%. O discurso do presidente do PTB na Câmara, Roberto Jefferson, foi a principal variável para os negócios no mercado financeiro nesta terça-feira. A constatação de que Jefferson não apresentaria novidades sobre as recentes denúncias contra o PT fez o dólar fechar em baixa de 0,65%, cotado a R$ 2,432 na compra e R$ 2,434 na venda. O deputado Roberto Jefferson, que vem monopolizando as atenções nos últimos dias, depôs na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Ao contrário dos temores dos investidores, o presidente do PTB não apresentou dados considerados novos ou graves, o que gerou uma reação positiva quase instantânea nos negócios. ?A sensação de alívio fez o mercado se lembrar que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está começando e que, desta vez, são grandes as chances de interrupção dos aumentos de juros. Parte da alta da bolsa também refletiu essa expectativa?, disse Nicolas Balafas, consultor de investimentos da corretora Planner. Balafas lembra que há dias o mercado vem tendo sinais do aperto monetário que pode estar perto do fim. Segundo ele, o desempenho da Bovespa nos últimos dias teria sido bem diferente, não fosse o agravamento da crise política gerado pelas denúncias de Jefferson. ?Mas é um alívio temporário. Ainda não dá para respirar tranqüilamente, porque o caso está apenas começando. Ainda temos a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que pode trazer novidades?, disse Balafas. Entre os desdobramentos da crise esperados estaria a saída do ministro José Dirceu do cargo na Casa Civil, que já estaria acertada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirceu sairia para liderar o governo na Câmara dos Deputados. CÂMBIO O temor do surgimento de provas do suposto pagamento do ?mensalão? a deputados levou a moeda americana a subir até 1,14% no início da tarde. A virada começou assim que Jefferson reafirmou não ter fitas gravadas que pudessem comprovar suas afirmações sobre compra de apoio às votações do governo. Apesar das críticas a políticos e ministros, o discurso trouxe novidade para os investidores. Foi a terceira queda consecutiva do dólar, que devolve parte das fortes altas da semana passada, geradas por conta de uma entrevista de Jefferson. Os títulos da dívida externa registram valorização e o risco-país brasileiro fechou em queda de 1,42%, aos 416 pontos centesimais. ?Uma intensa boataria invadiu o mercado no final da manhã, envolvendo também a possibilidade de novidades em revistas semanais. Esse tipo de problema tende a continuar gerando volatilidade?, disse um profissional. O mercado futuro de juros fechou apostando na manutenção da taxa Selic na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom). A reunião começou ontem e termina na quarta, com a definição dos juros básicos da economia. O Depósito Interfinanceiro (DI) de julho projetou uma aposta média de alta de 0,06 ponto percentual na taxa Selic. Isso mostra que é muito pequena a parcela de investidores que aposta em um aumento de 0,25 ponto na taxa básica, hoje de 19,75% ao ano.