Economia
IBGE: gastos com infra-estrutura recuam
JANAÍNA LAGE Folha Online A Pesquisa Anual da Indústria da Construção de 2003, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a participação das obras de infra-estrutura caiu de 39,1% em 2002 para 35,1% em 2003. Em compensação, as edificações aumentaram sua participação de 38,8% para 42,9% no período. Juntas, edificações e infra-estrutura responderam por 78% do valor total das obras ou serviços da indústria da construção. A retração do mercado interno, em 2003, se refletiu no comportamento da demanda por edificações, que não registrou aumento em sua produção, mas apenas crescimento de participação no total das obras, em decorrência do recuo acentuado em obras de infra-estrutura. Instalações elétricas e de comunicações tiveram desempenho positivo no período e alavancaram a participação das obras ou serviços de instalação de 9,5% em 2002 para 11,1% em 2003. Apesar do cenário negativo em 2003 para a indústria da construção, com o aumento da taxa de juros e com o maior aperto nas contas do governo com a elevação do superávit, as edificações residenciais cresceram 6,6%. Edificações residenciais representam uma demanda típica do setor privado e sua expansão contribuiu para compensar parte da queda na participação do governo. Em 2003, os clientes privados responderam por 70,7% do valor total das obras de edificação contra 67,5% em 2002. As edificações comerciais, como shopping centers, registraram alta de 14,5% de 2002 para 2003. Já os gastos em infra-estrutura, tipicamente uma demanda dos governos, tiveram um recuo de 70,6% para 62%. A participação do setor público em obras viárias caiu de 83,7% para 77,6%, o que marca o aumento da relevância dos investimentos privados nessa área. Segundo o IBGE, o dado reflete a redução dos gastos públicos e a crescente participação da iniciativa privada na construção e manutenção de rodovias. O investimento público também perdeu espaço para a iniciativa privada nas obras de infra-estrutura para energia elétrica e telecomunicações (48,9% para 41,2%) e em outras obras de engenharia civil, onde o setor privado passou de 36,9% para 46%. A construção de redes de instalação de torres de telecomunicações de longa e média distância apresentou queda na participação do setor privado, de 86,3% para 77,2%. Segundo o IBGE, isso pode indicar um arrefecimento ou o final da etapa de grandes investimentos no setor de comunicações, como celulares e telefonia fixa. Alagoas A construção civil registrou desconcentração regional da atividade econômica em 2003, com a perda na participação do Sudeste e com a ampliação das demais regiões, revela a pesquisa. Em 2002, o Sudeste detinha 63,7% do pessoal ocupado na contrução civil brasileira. Esse percentual caiu para 52,1% no ano seguinte. O Nordeste por sua vez, aumentou a participação. Em 2002, 16,9% dos profissionais do setor estavam empregados na região ? em 2003 esse número subiu para 19,1%. Alagoas é responsável por 1% de toda população ocupada na atividade. No Estado, em 2003, haviam 222 empresas do ramo da construção civil com mais 5 empregados, gerando 8.818 postos de trabalho.