Economia
D�lar supera crise pol�tica e cai 3,44%
PAULA DIAS Globo Online O mercado de câmbio foi o segmento da economia que mostrou maior serenidade diante da crise política. O dólar à vista rompeu o piso dos R$ 2,40 e fechou valendo R$ 2,386 na compra e R$ 2,388 na venda, com baixa de 0,74%. É a menor cotação do mês. No acumulado da semana, houve queda de 3,44%. O cenário político favoreceu um pregão inteiro de alta na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que repercutiu positivamente a saída do governo do ministro da Casa Civil, José Dirceu. O Índice Bovespa fechou em 26.092 pontos, com alta de 1,33% no dia e de 4,58% na semana. O risco-país brasileiro, medido pelo EMBI+ Brasil, fechou aos 405 pontos centesimais, com queda de 1,46%. A queda foi resultado da boa receptividade dos investidores estrangeiros pelos títulos brasileiros. José Dirceu Segundo Alexandre Sant?Anna, analista da ARX Capital Management, as poucas altas registrados pelo dólar nas duas últimas semanas foram causadas pela cautela do investidor doméstico com o cenário político. Segundo ele, os investidores estrangeiros ignoraram a crise no governo e permaneceram calcados nos fundamentos econômicos, que permanecem positivos. ?Não dá para dizer que essa crise acabou com a saída do ministro José Dirceu, porque o episódio pode estar apenas começando. Mas é fato que os investidores estrangeiros preferiram acreditar que a crise é passageira e não vai atingir o ministro Palocci (Fazenda) e o presidente Lula?, disse Sant?Anna. O analista afirma que os investidores estrangeiros continuaram a olhar pontos importantes da economia, como o superávit primário. Ele lembra que os estrangeiros são os grandes aplicadores em juros no Brasil, e os grandes vendedores de dólares. Por conta dessa tranqüilidade, já há bancos projetando o dólar na casa dos R$ 2,25 no curto prazo. ?Se não aparecerem provas das denúncias, nem novas evidências, é possível que a estabilidade se restabeleça?, diz. Mesmo com a recuperação na semana, a bolsa ainda não anulou todo o impacto da crise política, intensificada no dia 6, com as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre o pagamento do ?mensalão?. Desde então, o Ibovespa ainda acumula queda de 1,04%. A leitura dos investidores é que, sem o principal alvo das denúncias contra o governo, a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fica preservada, assim como a do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. As projeções dos juros negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam perto da estabilidade, dois dias depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).