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AL retoma per�odo de contrata��es

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PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Pela primeira vez neste ano, o saldo entre admissões e demissões no mercado formal de trabalho de Alagoas não foi negativo. É o que informam os dados mensais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Em maio, 5.910 trabalhadores foram contratados no Estado, enquanto 5.046 perderam o emprego. No total, houve um saldo positivo composto por 864 postos de trabalho criados em Alagoas. O resultado do mês passado rompe com um ciclo de saldos negativos iniciado em dezembro de 2004, quando o setor sucroalcooleiro antecipou seu período de dispensa de mão-de-obra, com o encerramento, também precoce da safra de cana-de-açúcar. Dessa forma, o número de demitidos no último mês de 2004 foi maior do que o de um dezembro típico. Entretanto, no acumulado do ano (ver tabela), Alagoas apresenta saldo negativo entre admissões e demissões de 34.897. No País, onde 770 mil empregos formais foram criados, apenas quatro estados apresentam saldo negativo no acumulado de 2005: Amapá, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Por outro lado, a variação negativa maior ainda é a alagoana, com -14,22%. Sazonalidade Apesar do resultado positivo em maio, o grosso das contratações no mercado formal de Alagoas só começa consistentemente a partir de agosto. É que no Estado um fênomeno cíclico se repete a cada ano. Setembro é o mês em que são realizadas o maior número de contratações anuais. A razão disso é que o setor sucroalcooleiro retoma seu período de admissões, por causa do início da safra, ao mesmo tempo que o segmento hoteleiro também contrata pessoal por causa do início da alta temporada. De outubro a novembro o mercado de trabalho alagoano volta a contratar menos até que começa a temporada de demissões em massa que vai de dezembro a abril. Nos últimos 12 meses, 100 mil admissões foram feitas contra 93 mil demissões. ### Serviços é o setor que mais emprega Foram 864 postos de trabalho criados em maio no mercado formal alagoano. Mas quais foram os setores que mais contrataram? Com 716 novas vagas o setor de serviços foi o maior empregador do mês, seguido pelo comércio 246 empregos e a construção civil, com 199. Antes que o leitor se confunda, vale ressalatar que da soma dos empregos gerados por cada um dos segmentos são subtraídos os saldos negativos de segmentos como o da indústria da transformação, leia-se setor sucroalcooleiro (-77 postos de trabalho), agropecuária (-46 empregos) e serviços industriais de utilidade pública (-197). De acordo com Carlos Gatto, empresário do setor hoteleiro e atual secretário Turismo de Maceió, boa parte das admissões do setor de serviços do Estado pode ser atribuídas ao segmento de agências de turismo que andam com os negócios aquecidos. ?Graças a queda do dólar, o alagoano voltou a viajar para o exterior, conferindo uma nova dinâmica ao mercado de turismo emissivo?, explica. ?Por outro lado, o turismo receptivo também está vivendo um bom momento por causa de novos vôos fretados de exterior que estão incrementando o fluxo de turismo na capital, o que tem motivado mais contratações?, completa. Segundo Gatto, o setor hoteleiro e o de lazer (bares e restaurantes) só vão retomar as contratações a partir de agosto, como habitual. Para Felipe Cavalcanti, presidente da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), o número de contratações da construção civil não denotam aquecimento, nem desaquecimento do setor. ?Estamos mantendo um ritmo estável e constante?, afirma. Por outro lado, a médio prazo Cavalcanti acredita que novas contratações podem se dar em função da MP do Bem. ?O governo vai isentar de Imposto de Renda os ganhos de capital de imóveis de qualquer valor, com isso é possível que as vendas fiquem mais aquecidas?, analisa. Já Wilson Barreto, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), prevê que a partir do segundo sementre as vendas do comércio serão incrementadas graças ao pagamentos dos precatórios e o reinício da safra de cana-de-açúcar. Mas, o comércio vive uma boa fase. Segundo o IBGE, em abril, houve um incremento nas vendas do comércio de 12,66% em relação a 2004 . |PM ### Por que o mercado alagoano é cíclico? Alagoas é diferente das economias mais desenvolvidas, que possuem muitos setores estabilizados seja na indústria, na agricultura diversificada ou no setor de serviços mais amplo e sofisticado. ?Precisávamos ter mais setores estáveis para que o nível de emprego não sofresse tantas variações assim?, explica o economista Cícero Péricles de Carvalho, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?Por exemplo, as sessenta empresas do Distrito Industrial do Tabuleiro do Martins não têm safra ou estação, empregam o ano todo e seus trabalhadores possuem relativa estabilidade. A construção civil apresenta uma variação mensal muito pequena. O comércio tradicional sofre uma variação no nível de emprego, mas não tão forte como a agricultura ou o turismo?, compara. Segundo o economista, o fenômeno cíclico que repete a cada ano no mercado de trabalho alagoano pode ser estabilizado com políticas públicas. ?Os programas sociais não geram empregos, mas criam um ambiente favorável aos investimentos. Essas políticas distribuem renda e ajudam a criar mercado?, afirma, mencionando que a existência desse mercado, o tamanho dele, é que decide a criação de novas empresas que vão gerar emprego e renda. Por outro lado, Cícero Péricles enfatiza que as políticas públicas de investimentos produtivos também são fundamentais. ?No ano passado, o BNB financiou um investimento de 170 milhões de reais para a Brasken que gerou apenas 30 empregos. Os grandes investimentos empresariais não são realizados com o intuito de gerar empregos, mas para dar lucro e, por isso, tem que ter rentabilidade e competitividade. Por outro lado, essas grandes empresas criam dinâmica econômica?, frisa. PEQUENAS EMPRESAS Mas, para o professor da Ufal, o grande gerador de empregos e renda é mesmo o pequeno empreendimento. ?O mesmo Banco do Nordeste emprestou 27 milhões, pelo programa de microcrédito e ajudou a criar mil vezes mais ocupações, em alguns setores específicos, como as micro e pequenas empresas do comércio e serviços, agricultura familiar ou da construção civil?, diz o economista, ressaltando que assim mesmo os dois tipos de investimento são importantes e complementares, porque geram desenvolvimento e criam emprego e renda. De acordo com Cícero Péricles, até os trabalhadores do mercado informal são atingidos indiretamente por estas políticas públicas. Alagoas tem uma força de trabalho de um milhão e duzentas mil pessoas, dos quais 900 mil estão ocupadas, trabalhando, mas somente 250 mil possuem carteira assinada. Os que não têm carteira formam a maioria do conjunto dos trabalhadores e sobrevivem como autônomos, trabalhando por conta própria. Os trabalhadores informais concentram-se nas atividades dos micro e pequenos empreendimentos comerciais, na agricultura familiar, na auto-construção e nos serviços. ?As safras ou estações influenciam esse mercado. Quando a economia melhora, eles podem ganhar um pouco mais e empregar um parente ou um conhecido ? não é um emprego formal, com carteira assinada , garantias trabalhistas e previdenciárias, mas uma ocupação, em geral temporária. |PM

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