Economia
Governo fixa meta de 4,5% em 2007
ANA PAULA RIBEIRO Folha Online O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou o centro da meta de inflação de 2007 em 4,5%. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que o intervalo de tolerância será de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo ? ou seja, pode variar entre 2,5% e 6,5%. A decisão era esperada pelo mercado, assim como o anúncio também feito ontem por Palocci de que as metas para 2005 e 2006 foram mantidas em 4,5%. Palocci disse ainda que espera que o Banco Central persiga essa meta em 2006 e a consolide em 2007 para dessa forma buscar no longo prazo uma inflação em torno de 4%. Mesmo a meta de 4,5%, entretanto, é bastante ambiciosa para países como o Brasil, onde dificilmente a inflação ficou abaixo de 5% nas últimas décadas. Dessa forma, o Banco Central pode ser obrigado a manter taxas de juros elevadas durante os próximos anos para conseguir cumprir os objetivos fixados pelo CMN. O BC usa os juros de forma a conter o aquecimento da economia e, dessa forma, reduzir as pressões inflacionárias. A alta dos juros, entretanto, também contribui para reduzir investimentos e aumentar o desemprego. Por esse motivo, setores de oposição e até mesmo do governo defendiam que o governo adotasse uma meta de inflação maior. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), por exemplo, tentou convencer a equipe econômica que o centro da meta deveria ser de 5,5%. No entanto, o CMN ? formado por Palocci, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e o presidente do BC, Henrique Meirelles ? descartou elevar a meta para tirar a pressão sobre os juros. ?Nós pensamos que sempre que você tolera uma inflação maior, você obtém uma conquista que é uma inflação maior?, disse ele em tom irônico. Ele atribuiu a meta de 4,5% a quatro fatores. ?A primeira é que essa meta estabelecida é consistente com uma trajetória de crescimento sustentável da economia?, explicou o ministro. Além disso, Palocci disse que a experiência internacional, considerando os países emergentes, mostra que o ideal é trabalhar com metas abaixo de 5%. A meta de 4,5% também foi considerada compatível com a dinâmica de preços no país, que é mais volátil que nos países desenvolvidos. O ministro disse que a adoção de uma meta ?mais elevada poderia estimular mecanismos de realimentação inflacionária e não iria atuar favoravelmente em relação ao crescimento econômico mesmo que no curto prazo?. O senador, Aloizio Mercadante (PT-SP), disse temer que esteja errada a decisão do ministro Palocci, de manter em 4,5%. Em 2004, ele havia proposto, que a meta fosse elevada a 5,5% em 2005 e 2006. ?No ano passado, torci para que estivessem certos e não estavam. Receio que estejam errados de novo?, afirmou o líder governista.