Economia
Argentina quer barrar cal�ado brasileiro
Os fabricantes de calçado da Argentina elogiaram a criação de uma regra para evitar a valorização do peso, pois ela ?vai frear? a concorrência dos fabricantes do Brasil, com quem mantêm uma longa disputa comercial. O Banco Central ordenou que desde a última sexta-feira os importadores depositem seus pagamentos no momento de embarcar as mercadorias que estão comprando, o que manterá a taxa de câmbio em torno dos 2,9 pesos por dólar. O banco emissor argentino interveio no mercado de câmbio com compras milionárias de dólares para evitar a valorização da moeda argentina frente à americana. ?A nova regra do Banco Central é punição suficiente para os brasileiros porque não permite aos importadores locais que façam operações a 90 dias com cartas de crédito?, afirmou o presidente da Câmara de Fabricantes de Calçado, Alberto Sellaro. Os fabricantes brasileiros ?querem se apropriar do crescimento do mercado argentino como se tivessem direito de fazer isso?, disse Sellaro, em referência à disputa em torno da ?invasão? de calçados brasileiros na Argentina. Desde o início do ano, os fabricantes dos dois países não entram em acordo para fixar uma cota de entrada de calçados no mercado local, que segundo os argentinos deve ser de 10 milhões de pares, 5 milhões a menos do que querem os brasileiros. ?Se os brasileiros fabricam 700 milhões de pares anuais não tem sentido que briguem por apenas 5 milhões?, disse Sellaro. O presidente da Câmara de Fabricantes de Calçado elogiou a decisão do governo argentino de aplicar barreiras às exportações dos brasileiros se no prazo de 15 dias não houver um acordo entre os fabricantes. ?Se nosso país está em condições legais, deve fazer o que tem de fazer?, disse Sellaro à agência local Diarios y Noticias. O secretário argentino de Indústria, Miguel Peirano, disse que fixou ?um prazo prudente, de 15 dias? para que os fabricantes de calçado dos dois países cheguem a um acordo.