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Fita do Senhor do Bonfim � produzida em S�o Paulo

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Alberto Komatsu Agência Estado É improvável conhecer Salvador sem sair de lá com uma fitinha do Senhor do Bonfim amarrada no pulso. Mas o que os 2 milhões de turistas que visitam a cidade por ano provavelmente desconhecem é que um dos maiores símbolos da cultura e religiosidade baiana é fabricado a quase 2 mil quilômetros de distância, em Sumaré, interior de São Paulo. São 24 milhões de fitas que são enviadas todos os anos - ou 2 milhões por mês - para Salvador pela Fita Têxtil, empresa responsável por praticamente toda a produção das lembranças que são vendidas principalmente nos arredores da Igreja do Senhor do Bonfim, na capital baiana. Até França e Portugal recebem algumas delas, já que 1% da produção é exportada. A confecção foi fundada há cinco anos pelo paranaense Osni Moreno Rolin, com investimento de R$ 100 mil e apenas dois funcionários. A empresa foi criada para fabricar acessórios para cortinas, mas o empresário enxergou nas fitinhas um novo mercado. ?Copiei de uma empresa que já trabalhava com a fita. Achei que era um mercado bom na época?, confessa Rolin, que teve o seu primeiro contato com as fitinhas como empregado numa outra confecção. As fitas do Senhor do Bonfim já foram feitas de seda e agora são produzidas em poliéster para baratear seu custo. Elas já responderam por 50% das vendas da confecção, lembra Rolin. Agora, ele estima que essa fatia está em torno de 30%. Mesmo assim, já teve gente interessada em comprar a Fita Têxtil. ?Ano passado estava vendendo a nossa fábrica para um empresa de Salvador. Mas eu pensei: por que vender se nós estamos sozinhos nesse mercado??, diz o empresário. FOLCLORE Monsenhor Walter Jorge Pinto Andrade, da Igreja do Senhor do Bonfim, calcula que em torno de 100 ambulantes cadastrados pela Prefeitura de Salvador vendem a lembrança nos arredores da basílica. ?Geralmente vem gente benzer a fitinha de 10 em 10 minutos?, afirma. Segundo ele, o costume de enrolar a fita duas vezes no pulso com três nós e fazer três pedidos que serão atendidos quando ela se desprender é um folclore inventado pelos vendedores. Originalmente, conta ele, a fitinha era guardada em oratórios. Na Saravá Artigos Religiosos, que fica próxima à Igreja do Senhor do Bonfim, a fita responde por 50% do faturamento diário de R$ 2 mil. Cada rolo com 100 unidades é vendido por R$ 3. Lucro certo para os ambulantes, que chegam a revender 10 unidades por R$ 5. Segundo Regina Maria dos Santos, funcionária da loja, de julho a março são vendidos, em média, 400 rolos diariamente. A Saravá já exportou 500 rolos para a França.

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