Economia
EUA querem retrata��o do Brasil
AGÊNCIA EFE Washington A Câmara de Comércio dos EUA pressionou na última sexta-feira o governo brasileiro a se retratar sobre o ?ultimato? dado a um laboratório farmacêutico para que reduzisse pela metade o preço de um remédio contra a Aids, sob o risco de ter a patente quebrada. Thomas Donohue, presidente da Câmara de Comércio americana, disse em comunicado que a ?ameaça? do Brasil ?deveria preocupar os investidores e empresas de todo o mundo pelo precedente que cria no tratamento da propriedade intelectual?. A associação afirmou que as ações ?unilaterais? do Brasil ?podem aumentar a brecha? com os Estados Unidos. Na próxima quinta-feira, Brasília suspenderá a patente do remédio Kaletra, depois do fracasso das negociações com a empresa Abbott para diminuir o preço, segundo anunciou na última segunda-feira o ministro da Saúde, Humberto Costa. Em entrevista coletiva em Genebra, Costa afirmou que a medida é ?totalmente legal?, já que a Organização Mundial do Comércio (OMC) ?permite quebrar uma patente perante uma situação de emergência ou quando o remédio for declarado de interesse público?. O diretor do Departamento de HIV/aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jim Kim, deu razão a Humberto Costa dois dias depois e disse que a decisão do Brasil é justificada porque com ela ?o País tenta garantir a viabilidade de seu programa nacional de luta contra a Aids?. Mas a Câmara de Comércio dos EUA não gostou da decisão. ?A propriedade intelectual é um dos recursos mais valiosos de qualquer indústria e sua proteção deveria ser de importância primordial?, disse Donohue. ?Compartilhamos a preocupação do governo brasileiro com o bem-estar de seus cidadãos que sofrem com essa terrível doença, mas a forma de abordar a situação é através do diálogo e da cooperação, não de ameaças?, acrescentou. O Brasil gasta atualmente US$ 100 milhões anuais na compra de Kaletra, que é distribuído a cerca de 23 mil doentes. Segundo Costa, esse valor cairá pela metade a partir de maio de 2006, quando os laboratórios passarão a preparar o remédio.