Economia
Entidades se unem contra pirataria
Enio Vieira O Globo As federações da indústria dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, Fiesp e Firjan, respectivamente, tornaram-se na última sexta-feira, as primeiras colaboradoras do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, ligado ao Ministério da Justiça. Segundo o secretário-executivo, Luiz Paulo Barreto, as duas entidades levarão para o conselho suas experiências e seu conhecimento na identificação de produtos falsificados. Ele informou que também foi aprovada a entrada de mais 28 colaboradores no Conselho, que tem cinco meses de existência. ?Os colaboradores vão trazer para o conselho os problemas que os atingem e ajudar o conselho na questão de educação e da repressão aos produtos falsificados?, disse Barreto, na cerimônia em que foram assinados os convênios. Barreto disse que a pirataria já está chegando aos produtos de medicina e peças de automóveis. Segundo ele, já foram apreendidos carregamentos de 240 mil pares de luvas cirúrgicas e bisturis. ?Isso mostra que não se trata de uma indústria artesanal, mas de fabricantes estruturados que não pagam impostos?, afirmou. Quadrilha O vice-presidente da Firjan, Geraldo Coutinho, disse que a pirataria tem hoje os contornos de quadrilha no Rio. Segundo ele, a falsificação começa com a demanda de uma parte da população de baixa renda, mas, quando se verifica a rede que está por trás disso, aparecem na verdade grandes contrabandistas e traficantes. Segundo ele, a Firjan já está engajada no combate à pirataria há dois anos. ?O objetivo desse trabalho tem que ser a eliminação da informalidade no emprego. Hoje, por trás dessa informalidade na pirataria, sempre existe um contrabandista de verdade?, afirmou. O diretor de comércio exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto, disse que a entidade está bastante empenhada no combate à pirataria, que traz prejuízo à indútria. Têxtil Ele citou, por exemplo, que a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) conseguiu avanços ao treinar os funcionários dos portos para identificar importações subfaturadas. Segundo ele, há uma ligação estreia entre a pirataria e a sonegação de imposto, lavagem de dinheiro e roubo de carga. ?Quando uma dona de casa compra uma bolsa falsa ou o filho está adquirindo um filme na internet, eles vão estar no final das contas financiando a venda de drogas porque se trata de um crime organizado?, afirmou.