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Economia

Desemprego, o custo da globaliza��o

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AGÊNCIA ESTADO A globalização da economia é responsável por 4% a 17% das demissões de trabalhadores no mundo, mas isto é em parte compensado com a criação de empregos nos países que recebem as empresas transferidas. Esta é uma das principais conclusões do relatório divulgado semana passada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), um órgão internacional e inter-governamental que reúne os países mais industrializados. O diretor da divisão de empregos da OCDE, John Martin, disse que a liberdade do comércio internacional ?gera alguns custos de ajuste no mercado de trabalho?, mas é ?um motor de crescimento do emprego?. ?Não consta que houve uma grande perda? de postos de trabalho e os que ficavam sem emprego encontravam trabalho em outros países. SERVIÇOS Martin ressaltou que, no mercado de serviços, os países desenvolvidos têm ?vantagens comparativas? em relação a outros em desenvolvimento que oferecem mão-de-obra mais barata. Segundo o diretor da OCDE, essa vantagem existe porque a educação da população dos países desenvolvidos é maior e estes têm maior capacidade de inovação, em particular em novas tecnologias, têm economias dinâmicas e atrações turísticas para consumidores de países emergentes. O estudo mostra que, para as pessoas que perderam o emprego por causa das transferências de empresas, encontrar um novo trabalho é mais difícil na Europa que nos Estados Unidos. Mas, nos EUA estas pessoas tinham um salário bem menor nos novos empregos. Para enfrentar os efeitos negativos da globalização no emprego, a OCDE defende a adoção de políticas de ativação para os desempregados que combinem incentivos para a procura ativa de trabalho e sanções caso isso não seja feito. ### Brasil cai 4 posições no ranking 2003 O Brasil caiu quatro posições para o 57º posto no ranking de países mais globalizados em 2003, publicado pela consultoria norte-americana A.T. Kearney e pela Carnegie Endowment for International Peace. A queda foi atribuída à desaceleração no fluxo de investimento estrangeiro direto, que tem um elevado e relevante peso entre os fatores de classificação dos países dentro do índice. Os especialistas que desenvolveram a pesquisa ressaltaram que o Brasil deve algumas posições quando o ranking de 2004 for elaborado pela equipe de pesquisadores. Cingapura superou a Irlanda no topo da lista dos países mais globalizados, enquanto a Argentina foi o país que mais perdeu posições, caindo 13 degraus na escala, para a 47ª colocação. A Rússia, por sua vez, deve continuar caindo, disse Fred McMahon, diretor do Centro de Estudos de Comércio e Globalização do Instituto Fraser. O país caiu 8 posições, para o 46º posto. Classificação O índice classifica 62 países com base na integração tecnológica, política e econômica com o restante do mundo. O índice pesa fatores como comércio e investimento estrangeiro direto, tamanho e crescimento do uso da internet e de servidores seguros, tráfego telefônico, viagens internacionais, participação nas missões de paz das Organizações das Nações Unidas e ratificação de tratados internacionais. Foram utilizados dados relativos a 2003 para a confecção do índice, os mais recentes disponíveis pelos países abrangentes da pesquisa. América Latina O nível de globalização da América Latina foi o menor em 2003 entre as demais regiões do mundo, refletindo redução no fluxo de investimento estrangeiro direto para o grupo. O fluxo de investimento estrangeiro tem peso triplo no índice. O Chile é o país com melhor globalização dentro da América Latina, ocupando o 34ª posição no ranking global. ?Os países sul-americanos continuam a receber forte pressão do aspecto investimento direto, em conseqüência da crise da Argentina?, explicou a especialista Helen Milner, diretora do Centro para Globalização e Governo de Princeton. ### Politicamente insustentável e sem ética A instabilidade política afastou os investidores de muitos mercados emergentes, levando os países da América Latina e a Rússia a perderem posição no Índice de Globalização. Mas a perspectiva de ingressar na União Européia elevou a posição de algumas economia na Europa Central e Oriental, enquanto os países da Europa Ocidental registraram desempenho pior, em conseqüência das dificuldades econômicas na região. O índice classifica 62 países com base na integração tecnológica, política e econômica com o restante do mundo. O levantamento utilizou dados relativos a 2003, os mais recentes disponíveis dos países abrangentes da pesquisa. ?Países mais globalizados tendem a ter maior liberdade civil e práticas governamentais mais transparentes?, disse Paul Luadicina, diretor-gerente do Conselho Global de Política de Negócios da A.T. Kearney. OIT Depois de dois anos de estudos, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) anunciou os resultados da mais ampla avaliação sobre os efeitos sociais da globalização já realizada por um órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). As conclusões não poderiam ser mais alarmantes: o processo da globalização não tem ética e é politicamente insustentável. Durante o período de maior intensidade da globalização, entre 1990 e 2003, a economia mundial passou a crescer a taxas menores que nas décadas anteriores, e o desemprego atingiu níveis recordes, com 185 milhões de pessoas sem trabalho. ?Há desequilíbrios persistentes no atual funcionamento da economia global que são eticamente inaceitáveis e politicamente insustentáveis (...). Em resumo, a governança global está em crise?, afirma o documento ?Por uma Globalização Justa?. O relatório pede que os líderes mundiais repensem ?com urgência? os caminhos atuais da globalização e as instituições políticas existentes. ?A globalização precisa e pode ser modificada?, afirma a comissão montada pela OIT para o trabalho, e que foi formada por 26 personalidades internacionais, entre elas a ex-primeira-dama do Brasil Ruth Cardoso e o economista americano Joseph Stiglitz. ?Para a maioria das mulheres e dos homens, a globalização foi incapaz de satisfazer suas aspirações mais simples e legítimas, como conseguir um trabalho decente e um futuro melhor para seus filhos?, afirma o documento. ?Poucos são beneficiados e muitos não têm influência sobre o curso da globalização?, afirmou Tarja Halonen, presidente da Finlândia e coordenadora do relatório. O documento elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), porém, não é um manifesto contra a globalização e faz também elogios ao processo. ### Impacto do sistema não é uniforme O relatório lembra que a globalização permitiu que elementos como democracia, direitos humanos e meio ambiente recebessem maior atenção. ?O potencial para o bem da globalização é imenso?, diz o documento, que pretende superar o ?diálogo de surdos? entre o Fórum Social de Porto Alegre e o Fórum Econômico de Davos. Segundo a avaliação da Organização Interncional do Trabalho (OIT), porém, o problema é que o impacto da globalização sobre os países não é uniforme. ?Existem claramente perdedores e ganhadores no processo?, afirma o documento. Entre os países beneficiados pela globalização, estão essencialmente as economias ricas que, com capital, tecnologia e educação, usaram o processo para avançar em seu desenvolvimento. Entre os países que se beneficiaram, o estudo também aponta os casos da China e da Índia. Nesses países, as exportações cresceram e os investimentos externos aumentaram a cada ano. No outro extremo, estão os países menos desenvolvidos, que saíram como os grandes perdedores da globalização e estão presos em um ciclo que inclui pobreza, falta de educação e economias frágeis. O raio X da globalização aponta que a riqueza suplementar gerada pela globalização não resultou em uma maior distribuição de renda e que a desigualdade social aumentou. O documento, porém, reconhece que a pobreza diminuiu no mundo entre 1990 e 2000, mas graças aos desenvolvimentos na China e na Índia, onde o número de pessoas vivendo em extrema pobreza foi reduzido de forma significativa. No total, o número de pobres passou de 1,2 bilhão de pessoas em 1990 para 1,1 bilhão no início da atual década. Na América Latina, o número de pobres aumentou em 8 milhões. Outra preocupação dos especialistas refere-se aos números de desempregados, que atingiram níveis recordes. Os autores do relatório acreditam que a criação de postos de trabalho deva ser um dos objetivos globais, e pedem uma coordenação de políticas macroeconômicas para a elaboração de uma estratégia de crescimento e de pleno emprego. A América Latina foi uma das regiões mais atingidas pelo desemprego nos últimos anos. Em 1990, o porcentual de pessoas sem emprego chegava a 6,9%. Hoje, a média é de 9,9%.

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