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C-Bond pode ser tirado do mercado

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ANA PAULA RIBEIRO Folha Online O Tesouro Nacional anunciou ontem que vai avaliar a retirada do mercado dos títulos C-Bond ?em breve?. A possível operação tem como objetivo melhorar o perfil da dívida externa brasileira. A história do C-Bond começa em abril de 1994, durante o programa de reestruturação da dívida brasileira após a moratória em 1987. Na época, o governo emitiu US$ 6,5 bilhões. O papel tem vencimento em 2014. Nos últimos dez anos, o C-Bond foi o papel mais comercializado entre todos os emitidos pelo governo do Brasil no exterior, segundo dados da Emerging Markets Traders Association (EMTA), que reúne as principais instituições que atuam no mercado de títulos emergentes. Atualmente, entretanto, o Global 40, emitido inicialmente em agosto de 2000 com vencimento em 2040, desbancou o C-Bond como título brasileiro mais negociado. Na nota divulgada ontem, o Tesouro afirma que ?com o objetivo de melhorar seu perfil de pagamentos futuros? avalia neste momento ?a conveniência de realizar, em breve, operação de troca visando à retirada do título da dívida externa denominado C-Bond?. Esses títulos vencem no dia 15 de abril de 2014 e somam US$ 5,6 bilhões. A avaliação do governo sobre o C-Bond ocorre após a conclusão, no mês passado, do plano de captações de dólares no exterior para este ano, que totalizou US$ 6 bilhões. A opção estudada pelo Tesouro no momento é fazer uma oferta de novos papéis aos detentores de C-Bonds realizando, dessa forma, uma troca. Em julho de 2003, o governo realizou uma troca de títulos da ?dívida velha? ? também conhecidos como bradies ?, mas os C-Bonds não fizeram parte da operação. Naquela ocasião, a troca envolveu apenas os chamados Par Bonds e Discount Bonds. Outra alternativa seria usar os dólares das reservas internacionais do país ou adquiridos no mercado para recomprá-los antecipadamente. Essa hipótese de fazer a recompra antecipada dos C-Bonds foi levantada em março, quando a cotação desse papel estava acima de 100% do seu valor de face. No entanto, o governo avaliou que não era o melhor momento realizar a operação. O resgate poderia ter sido feito no dia 15 de abril, data do pagamento semestral dos juros desses papéis, desde que o comunicado aos investidores estrangeiros fosse feito com 30 dias de antecedência. O próximo pagamento de juros ocorre em outubro e o governo deve desembolsar cerca de US$ 300 milhões. ?Efeito cosmético? Para João Marcus Marinho Nunes, economista-chefe da Ágora Senior, a operação é considerada benéfica pelo mercado, já que os C-Bonds ainda carregam o estigma de serem ?bradies? ? títulos emitidos pelo Brasil em 1994, com a renegociação da dívida externa após a moratória decretada na década de 80. Nunes avalia, entretanto, que a troca de C-Bonds pela emissão de outros papéis tem apenas ?um efeito cosmético?. Ou seja, os novos títulos agregariam a nova fase da economia brasileira. No final de março, o risco Brasil sobe 2,32%, aos 485 pontos, patamar mais elevado desde outubro do ano passado. O indicador, medido pelo banco americano JP Morgan, refletiu a desvalorização dos títulos da dívida externa. Naquela época, o risco acumulou alta de 10%. No ano, a alta já superava 27%. O risco-país se aproximou da barreira dos 500 pontos ? que não era ultrapassada desde setembro de 2004. Vale ressaltar que, quanto maior esse indicador, mais caro ficar tomar dinheiro emprestado lá fora.

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