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AL investe na produ��o de mandioca

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Maikel Marques Repórter Arapiraca - Produtores e prefeitos de 13 municípios do Agreste reuniram-se em Arapiraca para discutir o plano de negócio com ênfase no gerenciamento profissional da indústria produtora de fécula (amido), que é subproduto da mandioca ainda pouco consumida em Alagoas, mas muito comercializada pela indústria do Sudeste brasileiro. Orçada em R$ 1,6 milhão, a Fecularia inicia sua operação em agosto com a finalidade de transformar o Agreste alagoano em região exportadora de farinha de mandioca com qualidade para competir nos grandes centros consumidores do Nordeste. O empreendimento também quer eliminar a falsa imagem de que a farinha agrestina - uma das melhores do País - não tem qualidade. Principal cultura de subsistência de Alagoas, a mandioca domina a paisagem do Agreste alagoano. Dados do Consórcio Intermunicipal de Produção, Industrialização e Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar da Região Agreste (Consiagre) indicam que 70% da mandioca colhida em Alagoas é exportada para PE e SE. Parte desse percentual volta a Alagoas como farinha industrializada. embalagem sergipana ?Nunca houve incentivo governamental para a industrialização de farinha. O resultado é o seguinte: a gente come a farinha sergipana com matéria-prima alagoana. O que muda é apenas a embalagem. E ainda tem produtor de Alagoas que vende seu produto com embalagem de Sergipe?, esclareceu o agricultor João dos Santos, que é vereador em Arapiraca. Idealizado com objetivo de reverter o saldo negativo na exportação de farinha industrializada no Estado de Alagoas, o Consiagre quer consolidar uma marca que identifique o Agreste e seja sinônimo de qualidade em qualquer lugar do País. Antes da transformação da raiz em farinha, a região também precisa melhorar a qualidade da matéria-prima, segundo avaliação do consultor Rúbio Andrade, contratado pelo Sebrae em Alagoas para atuar no Arranjo Produtivo Local (APL) da mandioca. ?A mão de obra também precisa de qualificação?, alerta. Ainda de acordo com o consultor, ?o sucesso do empreendimento? - que será gerido com participação de 13 prefeituras - dependerá da gestão de um profissional com experiência na cadeia produtiva e em sintonia com as exigências do mercado consumidor. ### Fecularia quer conquistar o Nordeste Arapiraca - Quando iniciar suas atividades, a Fecularia permitirá a eliminação do atravessador que geralmente ?usufrui? da falta de incentivo à industrialização em Alagoas e paga ?preço reduzido? pela tonelada da raiz produzida no Agreste. A partir da eliminação do atravessador, o Consiagre quer garantir fécula (amido da mandioca) e farinha com qualidade suficiente para inserção nos mercados consumidores de todo o Nordeste. De acordo com planejamento estratégico apresentado em Arapiraca, a Fecularia atingiria seu pleno funcionamento dentro de um ano, quando seria a maior unidade de produção de farinha em Alagoas. Os gestores do Consiagre também planejam um ataque aos concorrentes que revendem farinha nos estados de Sergipe, Pernambuco, Bahia e Ceará. ?A prioridade é conquistar o mercado nordestino?, explica o consultor Rúbio Andrade. A estratégia de vendas voltada ao mercado externo tem justificativa: não inviabilizar a produção artesanal de farinha em Alagoas. ?Não teríamos como disputar mercado com uma indústria financiada com dinheiro público?, diz Eloísio Lopes Júnior, da Associação dos Beneficiadores de Mandioca (Abemam). Para o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), a Fecularia deve impulsionar o setor produtivo de mandioca na região Agreste, gerando emprego e renda. Ademir Silva [que é vice-prefeito de Feira Grande] e um dos maiores produtores de mandioca de Alagoas chamou a atenção da necessidade de manutenção de padrões de qualidade, que, no seu entender, estão vinculados ao fabrico artesanal. ?A farinha artesanal é muito mais saborosa?, observou. A qualidade da farinha dependeria de ajuste correto da aparelhagem e da matéria-prima enviada à Fecularia. O negócio terá capacidade para processar 50 toneladas de mandioca por dia. A perspectiva é de geração de 400 empregos diretos e outros 4 mil indiretos. ?O êxito do empreendimento depende de gestão profissional e com profissionais qualificados?, observa Luciano Barbosa, prefeito de Arapiraca. MM ### Produção ainda é atividade rudimentar Cantada em verso e prosa por grandes nomes da música popular brasileira, a farinha que chega à mesa do alagoano é fruto de um minucioso processo de fabricação, caso seja feita da forma mais antiga, durante a tradicional ?mandiocada? (reunião de uma comunidade para fabrico do produto), uma tradição que tende a desaparecer diante da mecanização das casas de farinha mais modernas e deve decretar a extinção das casas de farinha artesanais, hoje uma raridade no interior do Estado. Raspagem O primeiro passo do processo de fabrico da farinha é a raspagem manual da casca ma mandioca, processo que dura até três dias. ?Aproveitamos o momento da raspagem para pôr a conversa em dia. É uma tradição que passa de pai para filho?, relata a pequena produtora Lenuza Alves dos Santos. Já raspada, a mandioca passa por um pequeno triturador mecânico. O equipamento transforma a raiz numa massa homogênea. Colocada em sacos de pano, a massa é prensada manualmente. Quando todo o líquido for eliminado, explica o produtor Antônio Alves, a massa passa ppor uma peneira com o objetivo de eliminar as impurezas, que posteriormente serão reutilizadas como ração animal. Processo final ?Enquanto eu penero, o farinheiro põe lenha para aquecer o forno. Quando a temperatura estiver nas alturas, aí sim começa o processo final?, diz Antônio Alves. Temperatura ?nas alturas?, entra em cena a figura do farinheiro e seu imenso rodo de madeira. O farinheiro espalha a massa de forma intermitente. ?Se a massa ficar parada, ela pode queimar?, orienta o farinheiro Claudenor Balbino . Rodo vai, rodo vem. Uma hora depois, a massa já está fina e a farinha pronta. E deve ser retirada com rapidez e ensacada. Está pronta para o consumo. ?A fabricação é demorada, mas o produto sai mais gostoso?, diz o farinheiro Claudenor Balbino.

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