Economia
Infla��o do Pa�s � a maior do Mercosul
SABRINA VALLE Globo Online A inflação registrada no Brasil em 2004 (7,7%) foi a mais alta entre os países incluídos numa pesquisa inédita que compara a variação de preços nos quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), mais o Chile, país associado. O Índice de Preços ao Consumidor Harmonizados (IPCH) foi divulgado simultaneamente ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelos órgãos estatíticos oficiais dos países em questão. O IPCH é o primeiro passo da integração das informações estatísticas de países da região e pode, no futuro, servir de referência a empresas para o reajuste de preços, além de poder balizar políticas públicas comuns. Esse seria um passo fundamental, por exemplo, caso os países do Mercosul e o Chile quisessem criar uma moeda unificada ou políticas monetária, fiscal e de metas de inflação comuns. A partir de agora, o IPCH será divulgado trimestralmente por todos os órgãos. Os resultados serão tornados públicos todos os dias 14 do mês seguinte ao fechamento de um trimestre. Entre janeiro de 1999 e dezembro de 2004, o IPCH acumulado no Brasil (60,2%) foi o segundo maior entre os países pesquisados. A maior variação de preços foi registrada no Uruguai (66,3%). Já a menor (17,8%), ficou com o Chile, que mostrou uma estabilidade de preços muito maior do que seus vizinhos. O Paraguai (56,1%) e a Argentina (51,42%) ficaram logo atrás do Brasil. ALtas Por aqui, a maior alta de preços entre 2000 e 2004 veio do setor de comunicações (79%), seguido por alimentos e bebidas não-alcoólicas (60,5%), produtos com forte peso no bolso do consumidor de baixa renda. Apesar disso, os consumidores brasileiros foram os que, comparativamente, usaram um percentual menor (17,7%) de sua renda com alimentos e bebidas. Os argentinos, por exemplo, gastaram 25,2% do orçamento com esses itens. Os gastos com transportes foram os que mais pesaram no bolso dos brasileiros entre 2000 e 2004. Um quinto (20,5%) do orçamento da família brasileira foi gasto com transportes, a maior proporção entre os cinco países. No Chile, por exemplo, o percentual foi de 13,3%. O IBGE ressalta que as comparações têm como base as pesquisas de orçamento familiar de cada país e ressalva que pode haver alguma imprecisão no confronto por causa das datas diferentes da divulgação delas. O estudo foi feito em parceria com órgãos de estatística oficiais de cada um dos países participantes. A metodologia segue o manual da Organização Internacional do trabalho (OIT) e a experiência do órgão estatístico da União Européia, a Eurostat. No caso do Brasil, o IPCH foi calculado com base nas informações do IPCA do IBGE.