Economia
Vit�ria na OMC abre espa�o para o Pa�s
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia A Organização Mundial do Comércio (OMC) reconheceu que a União Européia deu subsídio a 5 milhões de toneladas de açúcar exportadas por ano, comercializando uma tonelada por apenas US$ 200 ? enquando ela é produzida por US$ 600 ?, distorcendo completamente as práticas mundiais de livre comércio e também o preço mundial. O Brasil, a Tailândia e a Austrália pressionaram a OMC para que o subsídio europeu a essas exportações seja imediatamente abolido e obtiveram êxito na questão. A União Européia reagiu e deverá reorganizar o mercado do açúcar a partir do próximo ano. A decisão da OMC abre um espaço no mercado internacional para 3,8 milhões de toneladas de açúcar branco, que são exportados para países asiáticos, africanos e Leste Europeu. Isso significa uma exportação adicional de US$ 1,2 bilhão. Essa medida pode render ao Brasil mais de US$ 800 milhões por ano. Segundo o empresário José Ribeiro Toledo, diretor comercial da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e de Álcool do Estado de Alagoas, com o reposicionamento de mercado da Europa, o Brasil potencialmente será um dos maiores beneficiados com a abertura de mercado que antes era do açúcar europeu. ?O Brasil vem firmando cada vez mais sua posição de liderança como produtor e exportador mundial?, afirma, mencionando que o País deve exportar cerca de 18,8 milhões de toneladas da commodity na safra 2005/2006, enquanto a União Européia e a Austrália comercializarão 4 milhões e 5,5 milhões de toneladas do produto, respectivamente. ?Mas, independentemente da vitória na OMC, a demanda mundial de açúcar cresce em 3 milhões de toneladas a cada ano por causa do aumento da renda dos países emergentes e ao crescimento populacional?, destaca Toledo. Na sua opinião, quem mais tem condições de aumentar a produção para suprir essas demandas são o Brasil, o Paquistão e a Índia. ### Açúcar atingiu maior cotação em 4 anos A vitória do Brasil, Austrália e Tailândia na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o subsídio europeu ao açúcar levou anos para ser conquistada. Foram anos de processos até que no ano passado, a Organização deu seu primeiro parecer favorável à reivindicação brasileira. A União Européia recorreu a todos os artifícios para ganhar tempo e renegociar internamente uma proposta de reforma do sistema europeu de subsídios que existe desde 1968. A palavra final da OMC foi dada em abril deste ano, confirmando o parecer anterior, que considerou a prática de subsídios ilegal. Sem poder mais recorrer a União Européia (UE) já propôs a sua mudança. Mas, os produtores da Europa estão longe de ficar conformados. Esta semana, mais de seis mil deles, de 21 países, farão protestos em Bruxelas contra a reforma proposta pela UE. Os produtores consideram que as mudanças irão causar desemprego na Europa que será dominada pelo açúcar brasileiro de menor custo. Demanda crescente De qualquer forma, a demanda mundial é crescente e os preços do açúcar no mercado mundial seguem em alta. No início de julho, os preços da commodity na Bolsa de Nova York atingiram seu valor mais elevado em quatro anos. Isso graças às especulações do mercado que davam conta de que a demanda do Iraque, Paquistão e Rússia iria consumir os estoques brasileiros. A Rússia, um dos principais mercados do açúcar alagoano aumentou, de fato, suas importações de açúcar em 20% no primeiro semestre. Semana passada, o açúcar teve nova alta em Nova York. Desta vez a expectativa de importação a médio prazo da China, países do Oriente Médio e outro países da Ásia interferiram na comercialização da commodity na Bolsa. De acordo com analistas, muitos países estão exportando, mas muitos produtores estão segurando seus açúcares esperando que os preços subam ainda mais. |PM