Economia
Flex-fuel pode elevar pre�o do a��car
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia No mercado interno, o Brasil está consolidando a experiência dos carros bicombustíveis, com motores adaptados para utilizar álcool, gasolina ou a mistura dos dois. A importância do álcool agora não é apenas porque seu preço ao consumidor final é inferior ao da gasolina, mas, também pela tecnologia avançada do flexfuel. A demanda pelos veículos é crescente. Em 2003, foram comercializados 50 mil deles no País e, no ano passado, o número chegou a 250 mil unidades. Nos cinco primeiros meses de 2005, o crescimento foi de 90% em relação ao ano passado. Em maio a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) deu uma grande notícia: as vendas dos bicombustíveis superaram a venda de carros com motores a gasolina pela primeira vez no País e prevê, para 2006, que a nova tecnologia responda por 75% das vendas de carros novos. ?O crescimento da participação destes veículos no mercado nacional rapidamente aqueceu as vendas de álcool no Brasil?, diz o empresário José Ribeiro Toledo, diretor comercial da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de Alagoas, que foi presidente do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). De fato, a entrada dos bicombustíveis foi responsável pelo aumento do consumo nacional do combustível que gira em torno de 1 bilhão de litros por mês. ?É por isso que, o Sudeste, a região responsável por 85% da produção nacional, está recebendo investimentos de mais de US$ 5 bilhões na construção de dezenas de usinas e destilarias?, frisa o economista Cícero Péricles de Carvalho. Preço de gasolina A safra do Sudeste deste ano foi antecipada de maio para abril. Como a área plantada é maior e se realizaram muitos investimentos na expansão industrial, com a entrada de novas usinas, a expectativa é de que se produza 360 milhões de toneladas de cana-de açúcar ? uma safra 10% maior que a de 2004, de 325 milhões. O período de colheita da cana tem reflexos positivos no bolso do consumidor que tem veículo a álcool e mora no Sudeste. Os preços do combustível registraram uma queda regular nestes meses de safra paulista. ?A gasolina também apresentou uma leve retração, na medida em que o álcool anidro entra com 25% na composição do combustível. E os carros bicombustíveis ficarão ainda mais competitivos?, diz Cícero Péricles de Carvalho. Mas, nem tudo é perfeito. Segundo estudo da Sucden Ltd, empresa inglesa que atua no mercado internacional de açúcar, os preços da commodity devem subir cerca de 10% no próximo ano por causa dos veículos flex-fuel. De acordo com a Sucden, à medida que o Brasil reduz suas exportações para aumentar a utilização da cana-de-açúcar na produção de combustível, a produção de açúcar será reduzida. Como o Brasil é o maior produtor mundial, estima-se as exportações de açúcar podem não crescer neste ano só para atender a demanda nacional por álcool, já que os preços da gasolina saltaram nos últimos 12 meses, graças a cotação do petróleo que subiu 45%. Dessa forma, estima-se que as exportações brasileiras de álcool tenham uma sensível redução de 500 milhões litros em 2005, atingindo 2 bilhões de litros contra o recorde de 2,5 bilhões do ano passado. Entretanto, segundo o empresário José Ribeiro Toledo, previsões mais longas são muito difíceis de se fazer. ?Se vai haver um redirecionamento maior da produção de açúcar para produção de álcool vai depender muito do comportamento dos preços do petróleo no mercado internacional e das demandas de açúcar. É claro, os produtores vão sempre se inclinar para os mercados que oferecem os preços mais remuneradores?, afirma. De acordo com Toledo, o álcool brasileiro tende a crescer muito nos mercados asiáticos, como Coréia e Índia e na Europa, em países como Alemanha e Suécia. O empresário não acredita em um incremento nos Estados Unidos pois o país é autosuficiente no consumo com o álcool produzido à base de milho.