loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Bons ventos que sopram nos canaviais

Ouvir
Compartilhar

PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia O leitor da Gazeta tem se deparado há vários meses com sucessivas notícias positivas relacionadas ao universo de negócios do setor sucroalcooleiro do País. Desde que o petróleo iniciou tendência de alta no mercado internacional, ao mesmo tempo em que o Protocolo de Kyoto entrou em vigor, crescem as perspectivas de exportação do álcool combustível no exterior. Além disso, no mercado interno as vendas dos veículos flex fuel ? que há dois meses ultrapassaram as vendas de veículos à gasolina ? também trazem um aumento no consumo de álcool. Em junho, os veículos bicombustíveis tiveram 51,9% de participação nas vendas no Brasil, contra 41% dos carros a gasolina. Os carros movidos somente à álcool por sua vez, vêm perdendo cada vez mais espaço no mercado, encerrando o mês com apenas 2,7% de participação. O açúcar brasileiro, por sua vez, também foi beneficiado com novidades vindas do cenário internacional. No final de abril, a Organização Mundial de Comércio (OMC) confirmou seu parecer contrário ao subsídio do açúcar europeu, considerando-o ilegal. A decisão, já esperada pelos empresários brasileiros, deve fazer com que a exportação do produto nacional aumente em até 4 milhões de toneladas por ano, de acordo com especialistas do setor sucroalcooleiro. Todas estas notícias dizem respeito à agroindústria canaviera alagoana, na medida em que ela exporta 70% do seu açúcar, tem uma capacidade instalada para produzir até um bilhão de litros de álcool, e é produtora de energia através da utilização da biomassa, utilizando o bagaço de cana-de-açúcar ? retirando carbono da atmosfera. ?O setor sucro-alcooleiro está nas nuvens. É uma chuva de boas notícias. Até a Petrobrás entrou no mercado de álcool para dar uma força à entrada do combustível no exterior, tendo em vista que muitos países tendem a introduzir o etanol na composição da gasolina - como faz o Brasil?, diz o economista Cícero Péricles de Carvalho, professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O acadêmico, que tem vários livros publicados sobre o setor sucroalcooleiro, como o Reestruturação produtiva do setor sucroalcooleiro alagoano, também menciona que o programa do biodiesel abre perspectivas para o consumo de mais alguns milhões de litros de álcool no País, já que o produto vai ter em sua fórmula um percentual de álcool. Esse conjunto de novos fatos diminui o espaço da agenda baseada no processo administrativo interno e amplia a agenda de longo prazo, dominada pelos temas de futuro: a relação do setor com o Estado brasileiro, as inovações tecnológicas, os programas energia alternativa e os acordos internacionais que abrem perspectivas para o álcool. ?Com o aquecimento das demandas tanto do álcool quanto do açúcar no mercado externo e interno, haverá um crescimento de investimentos na região Centro Sul do País que ainda dispõe de área para ampliar a fronteira agrícola, inclusive é possível que a migração de capital alagoano para o Sudeste seja também aumentada?, diz Cícero Péricles. De fato, a aplicação de investimentos alagoanos no Centro Sul está se intensificando. Recentemente, a imprensa paulista noticiou novos investimentos do Grupo Tércio Wanderley no Triângulo Mineiro, onde serão destinados R$ 260 milhões na construção de duas novas usinas destilarias. O conglomerado alagoano, que controla entre outros negócios a Usina Coruripe (em Coruripe) e a Cipesa Engenharia, passará a ter cincos unidades industriais em Minas Gerais com os novos investimentos. O grupo fez seu primeiro investimento no Triângulo Mineiro em 1994, quando montou a filial da Coruripe em Iturama. Em seguida vieram as de Campo Florido e Limeira do Oeste. Os dois novos empreendimentos serão estabelecidos nas cidades de Carneirinho e União de Minas. Outro grupo que anunciou aporte de capital na região do Triângulo Mineiro foi o Triunfo, do empresário João Tenório. Recentemente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 37 milhões para o grupo implantar uma destilaria autônoma de álcool no município de Santa Juliana, em Minas. A unidade industrial iniciará suas atividades agroindustriais em junho do ano que vem. ### Migração de capital não prejudica economia de AL É um equívoco imaginar que os investimentos dos grupos empresariais alagoanos em Minas, São Paulo ou Mato Grosso sejam negativos para a economia do Estado. Na verdade, isso representa um fortalecimento dos grupos João Lyra, Carlos Lyra, Tércio Wanderley, Toledo, Olival Tenório e Triunfo, que continuam sediados em Alagoas, mas que ampliaram seus negócios para outros estados. ?Essa migração de capital não afetou a produção ou a exportação de açúcar e álcool de Alagoas, que, pelo contrário, vem aumentando todos os anos?, afirma o professor Cícero Péricles de Carvalho. De acordo com Carvalho, é natural que, pela extensão territorial, com terras disponíveis para a cana-de-açúcar, com capital e tecnologia e proximidade do mercado, os Estados do Sudeste superem a produção nordestina. ?O Paraná, definitivamente superou Alagoas, e Minas Gerais tende a, dentro de 3 ou 4 anos, ultrapassar o volume alagoano, assim como o Mato Grosso, mais na frente?, explica o economista. Ao discutir as razões que levaram o Grupo Tércio Wanderley a concentrar seus novos investimentos no Triângulo Mineiro, o diretor do conglomerado, Vítor Wanderley, foi bem sucinto: ?Há em Alagoas 36 usinas de açúcar e álcool. Não tínhamos mais como expandir no Estado. Por isso, decidimos expandir os negócios do grupo para o Centro-Sul?, disse. Por outro lado, um novo perfil de investidores do setor sucroalcooleiro está despontando no Sudeste brasileiro. Europeus Com a redução dos subsídios ao açúcar produzido à base de beterraba na Europa, uma das mudanças no comportamento dos produtores de lá envolve o foco nos novos investimentos. Muitos começam a se inclinar para o Brasil com intenção de investir aqui para exportar parte da produção para seu próprio continente. Por outro lado, segundo empresários e especialistas do setor sucroalcooleiro, caso o capital europeu seja aplicado em usinas brasileiras ? seja em forma de sociedade com grandes grupos nacionais ou fazendo aquisição de empresas ?, esse movimento não atingirá o Nordeste. Afinal, na região todas as empresas em atividade são de grupos familiares, de capital fechado e perfil mais conservador. |PM

Relacionadas