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GERALDA DOCA Agência O Globo O mercado formal de trabalho continua refletindo a desaceleração da economia observada no primeiro trimestre e, apesar de junho ter apresentado um saldo positivo de 195.536 vagas, esse foi o menor resultado dos últimos três meses. O número de empregos com carteira assinada também ficou abaixo das 207.895 contratações registradas no mesmo período de 2004. Com isso, o governo encerrou o primeiro semestre de 2005 anunciando 966.303 novos postos de trabalho, uma queda de 3,92% sobre o resultado entre janeiro e junho do ano anterior, quando o saldo superou um milhão. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho, a indústria ? que reflete diretamente o aquecimento da economia ? apresentou, no mês passado, saldo positivo de 16.993 trabalhadores com carteira assinada. O resultado é bastante inferior aos 47.545 registrados em junho de 2004. Alguns segmentos industrias voltados à exportação, como madeira e mobiliário, borracha, couros, peles e calçados, tiveram desempenho negativo. Só a indústria de móveis fechou 2.597 postos e o de calçados, 1.797. Para o novo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, as altas seguidas na taxa de juros a partir do terceiro trimestre de 2004 e a valorização do real frente ao dólar tiveram impactos negativos no nível de emprego. Ele disse acreditar, porém, na reversão dessa tendência a partir do segundo semestre. ?Estamos entrando num processo de estabilidade dos juros e eu acredito que, em algum momento, a taxa vai começar a cair e o câmbio vai se ajustar?, disse, destacando que apesar da crise política, a economia vai bem. Mesmo com os prejuízos causados pela seca nas plantações de cereais e grãos no Rio Grande do Sul, o setor que mais contribuiu para o resultado do mercado formal de trabalho em junho foi a agropecuária, com a contratação líquida de 80.350 trabalhadores, tendo como principais destaques o cultivo de cana-de-açúcar e café. Em seguida, estão serviços, com 46.669 postos, comércio, com 32.123 e a construção civil, com 17.586 novas ocupações.

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