Economia
Desemprego registra segunda queda
JANAINA LAGE Folha Online A taxa de desemprego das seis maiores regiões metropolitanas do país recuou em junho para 9,4%, o menor patamar verificado desde o início da série histórica, em março de 2002. Trata-se da segunda queda consecutiva da taxa. O resultado, no entanto, não é um indicador de aquecimento do mercado de trabalho, na avaliação do IBGE. De maio para junho, a população ocupada aumentou em apenas 11 mil pessoas, uma variação de 0,1%, considerada estável estatisticamente. No mesmo período, a população desocupada, que representa o número de pessoas desempregadas em busca de trabalho, teve uma queda de 192 mil pessoas, o equivalente a 8,6%. Sem a oferta expressiva de novas vagas, a maior parte destas pessoas migrou para a inatividade, a chamada população não economicamente ativa, que teve em junho um acréscimo de 228 mil pessoas. Apesar disso, o contingente de pessoas a procura de trabalho nas seis maiores regiões metropolitanas do país permanece alto. Em junho, eles somavam 2,05 milhões. Tradicionalmente, a pesquisa registra queda na taxa de desocupação a partir de meados do ano. Nos primeiros meses do ano, o resultado costuma ser ?inflado? pela dispensa de trabalhadores temporários. A queda na procura por trabalho foi generalizada, mas foi ainda mais significativa em Recife (-28%) e no Rio de Janeiro (-20,5%). Esse comportamento é ainda mais claro na comparação com junho de 2004. Em relação a igual mês do ano passado, a população desocupada apresentou queda de 19,5%, com redução de 496 mil pessoas em busca de trabalho. Ponto de interrogação Segundo o coordenador da pesquisa, Cimar Pereira, o resultado não dá margem a comemoração. ?É um resultado que a gente não pode avaliar como melhora ou piora do mercado de trabalho. Estamos diante de um ponto de interrogação. A queda na taxa de desocupação seria um resultado excelente se não viesse acompanhada do aumento da inatividade?, disse. As razões que levaram as pessoas a desistirem de procurar trabalho ainda não são claras, segundo o IBGE. O instituto, no entanto, levanta algumas hipóteses que podem estar relacionadas a esse comportamento, mas destaca que ainda será preciso acompanhar o resultado dos próximos meses para chegar a uma resposta conclusiva. Ministro discorda O desânimo na busca por trabalho pode estar relacionado ao aumento da incerteza com a crise política, à manutenção da taxa de juros em um patamar elevado e até mesmo à proximidade das férias, em que se verifica historicamente uma queda na procura entre jovens e mulheres, segundo o IBGE. Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o brasileiro não desistiu de procurar emprego. Segundo Marinho, os dados do Caged confirmam que há aumento no número de postos de trabalho. A diferença entre as pesquisas seria dado pela abrangência de cada uma. O IBGE investiga as seis maiores regiões metropolitanas do país.