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Aposentadas e chefes de fam�lia

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| CLARICE SPITZ Folha Online Pesquisa divulgada pela Fundação Seade mostra que houve um aumento acentuado de mulheres aposentadas com idade entre 40 e 59 anos como chefes de família. O incremento entre essas mulheres foi de 162,8%, passando de 52 mil para 136 mil de 1992 a 2003. Já entre os homens na mesma faixa etária o aumento foi de 67,1%, passando de 372 mil para 621 mil. De acordo com a pesquisa, o comportamento pode ser explicado, entre outras coisas, pelas mudanças culturais nos últimos anos, com a inserção da mulher no mercado de trabalho. Segundo a pesquisadora Maria Luz Prada Mato, analista da Fundação Seade, a maior independência financeira já possibilita a mulher terminar uma relação amorosa e se manter sozinha. Além disso, as mulheres vivem mais tempo que os homens, o que também explica a disparidade de crescimento. A pesquisa aponta ainda uma grande diferença entre o percentual de homens e mulheres que vivem sozinhos. A pesquisa aponta que 44% das mulheres de 60 anos ou mais vivem sozinhas, contra apenas 8,6% dos homens nessa faixa etária. Em vez de descansar na velhice, as mulheres com 60 anos ou mais estão voltando cada vez mais para o mercado de trabalho no Estado de São Paulo. A pesquisa mostra que a participação de mulheres nessa faixa etária no mercado cresceu 15% de 1992 para 2003. Nesse mesmo período, a participação no mercado de mulheres incluídas na faixa de 17 a 39 anos evoluiu 17,3%. Ou seja, a expansão da participação das mais velhas no mercado de trabalho ocorreu quase que na mesma proporção que as mais jovens. Para as mulheres entre 40 e 59 anos, o crescimento foi ainda mais expressivo: 30%. Os dados surpreenderam os pesquisadores da Fundação Seade e indicaram uma mudança cultural na inserção da mulher no mercado de trabalho. ?Vemos que as mulheres estão mais disponíveis para o mercado de trabalho, seja pelo maior nível de escolaridade, seja pelo empobrecimento geral da renda familiar, além de que mostram uma maior dificuldade de inserção dos mais jovens?, afirma Guiomar de Haro Aquilini, analista de mercado de trabalho. Para Aquilini, as informações sobre o crescimento de participação entre as mulheres com mais de 60 anos são preocupantes. ?Estudos da década de 70 já sinalizavam que quanto menor a taxa de participação dessas pessoas, mais desenvolvidos os países, salvo raras exceções?, afirma. Segundo a pesquisa do Seade, em 2003, metade das mulheres em idade ativa estava no mercado de trabalho, como ocupada ou como desempregada, contra 70% de participação dos homens.

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