Economia
Grupo europeu se consolida no Brasil
O GLOBO Com Agências Internacionais A Arcelor, segunda maior siderúrgica do mundo em volume de produção (atrás apenas da holandesa Mittal Steel), anunciou a reorganização de seus ativos no Brasil. Segundo a companhia, a mudança envolverá inicialmente as empresas Belgo-Mineira, Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e Vega do Sul. A Arcelor vai consolidar seus negócios no País por meio da Belgo-Mineira, que terá sua razão social alterada para Arcelor Brasil S.A. A empresa disse ainda que investirá US$ 4,8 bilhões no Brasil e na Argentina em aquisições e expansão de suas operações. Após a concentração das operações no País, a Arcelor Brasil será a plataforma preferencial para receber os investimentos do grupo na América do Sul e, possivelmente, na América Latina. Com a operação, a expectativa é que a nova companhia se tornará a maior empresa do setor siderúrgico da região, com capacidade anual de produção de 11 milhões de toneladas e cerca de 14.500 empregados. A Arcelor no mundo obteve, em 2004, receita de 30 bilhões de euros e seu lucro líquido somou 2,314 bilhões de euros. No primeiro semestre deste ano, o lucro líquido da gigante européia já soma 1,937 bilhão de euros. No Brasil, segundo dados da publicação ?Valor 1000?, a CSN era a maior siderúrgica brasileira no conceito de vendas líquidas, que, em 2004, foram de R$ 6,170 bilhões. O segundo grupo é a Gerdau, com R$ 4,870 bilhões. Já o faturamento estimado da nova Arcelor no país é de R$ 12 bilhões por ano, com base nos resultados de 2004 das três siderúrgicas. Redução de custos Os analistas do setor dizem que a criação da Arcelor Brasil vai beneficiar as empresas participantes, que terão mais capacidade negociar a venda de seus produtos para o mercado externo. Para Cristiane Viana, da corretora Ágora Senior, a formação da Arcelor Brasil é positiva. ?A Arcelor Brasil será importante porque a nova holding dará mais representatividade ao setor no País. Isso vai significar também redução de custos de R$ 165 milhões por ano, a partir de 2006. Isso revigora a capacidade das empresas de negociar seus produtos fora do País, aumentando a participação da Belgo, da CST e da Vega do Sul nas exportações?, afirmou Cristiane. ### CST será subsidiária do novo grupo Para o analista Edmo Chagas, do Banco UBS, o negócio é bom para a Arcelor, que terá maiores ganhos de rentabilidade em suas atividades e maior capacidade de investimento. ?A criação da Arcelor Brasil não se caracteriza como uma compra de ativos. A Arcelor já tinha participação nas empresa. Isso não muda em nada o mercado brasileiro. A união das empresas também não vai representar qualquer concentração de mercado, já que cada uma vai continuar fabricando seus produtos? disse Chagas. Todas as ações preferenciais da Belgo serão transformadas em ordinárias (com direito a voto). A empresa vai incorporar então as sociedades controladas pela Arcelor que detêm participações na CST e na Vega do Sul. Além disso, as ações da CST serão incorporadas pela Belgo, transformando a Siderúrgica de Tubarão em subsidiária integral. A relação de troca de papéis tomou por base o valor econômico-financeiro das empresas definido pelos bancos UBS e Deutsche Bank. Cada 9,32 ações preferenciais ou ordinárias da CST serão trocadas por uma ação ordinária da Belgo. A CST divulgou o balanço do segundo trimestre, com lucro de R$ 483 milhões, queda de 18% contra o ano anterior. Os donos de ações preferenciais da CST receberão apenas ações ordinárias da Belgo. Se quiserem, poderão receber sua parte em dinheiro, o que aumentaria a fatia da Arcelor na empresa combinada. Todos os acionistas da Belgo-Mineira terão direitos iguais. Os acionistas terão direito de venda conjunta por preço equivalente a 100% do preço de controle. ### Custo de produção reduz ganhos O balanço do segundo trimestre da CST praticamente antecipa o que as demais siderúrgicas brasileiras vão mostrar em seus resultados: uma combinação de alto custo das matérias-primas com preços baixos dos produtos vendidos, mas compensados em parte por ganhos no lado financeiro. O câmbio, nesse caso, será o ?fiel da balança? nos balanços das siderúrgicas. Apesar de essas companhas serem fortemente exportadoras, várias delas estão pesadamente endividadas em moeda estrangeira e, portanto, devem apresentar resultados ?no azul? devido a gastos menores com pagamentos de empréstimos. A Companhia Siderúrgica Tubarão reflete quase à perfeição o roteiro descrito. A CST apresentou lucro líquido de R$ 483 milhões no segundo trimestre deste ano, um número 18,4% abaixo do seu desempenho em igual período de 2004. O mercado projetava um ganho pelo menos R$ 10 milhões mais alto. O dólar foi responsável por um alívio de 23% na dívida da CST - que somava R$ 538 milhões no final de junho - na comparação com o final do segundo trimestre de 2004. A jóia do grupo Arcelor foi prejudicada principalmente pela alta nos preços do carvão e do minério de ferro. Somente no segundo trimestre, o custo dos produtos vendidos aumentou 22% em relação ao mesmo período de 2004 e bateu os R$ 897 milhões. A CST fabrica placas e bobinas a quente e o preço médio desses produtos aumentou 76% nos últimos 12 meses e inflou a receita da empresa em 35%, na casa de R$ 1,7 bilhão.