Economia
Bolsa est� entre as melhores aplica��es
| Fabricio Vieira Folhapress São Paulo - Depois de muito sobe-e-desce e de um início de semana que prenunciava perdas, a Bovespa trouxe alegrias para quem apostou em ações no mês de julho. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, teve valorização de 3,96% no mês e bateu até as aplicações mais tradicionais que seguem os juros. Entre a pontuação mínima (24.422) e a máxima (26.068) registradas no mês, a Bolsa oscilou 6,74%. Na segunda-feira, o índice fechou em baixa de 3,39%. Recuperou-se depois e na sexta fechou em queda de 0,10%. O dólar também apareceu como destaque no mês. E só não teve retorno melhor porque caiu 1,12% nos negócios da última sexta-feira - na segunda, subiu 2,67%. Em julho, o dólar comercial teve alta de 1,97%, mas chegou a ser negociado a R$ 2,46 na última segunda-feira. Não se sustentou em patamar tão elevado. No ano, a moeda norte-americana ainda tem consistente queda de 10,32% diante do real. ?A Bolsa vive um momento de volatilidade bastante alta, muito devido ao cenário político, que trouxe mais instabilidade ao mercado??, diz Lúcio Graccho, diretor de renda variável do HSBC Asset. Para quem se empolgou com o resultado de julho da Bolsa, os analistas sugerem cautela. ?No curto prazo, a Bolsa ainda seguirá muito sensível ao cenário político??, diz Graccho. Ou seja, com tendência a muita oscilação. Mas, no médio prazo, a expectativa para o mercado acionário é positiva. Isso porque ninguém duvida de que os juros cairão daqui para o fim do ano. A taxa básica da economia (a Selic) está atualmente parada nos 19,75% anuais. Entre os analistas financeiros, boa parte espera que os juros comecem a cair em agosto. E juros em baixa tornam o mercado acionário mais atrativo. A contínua entrada de investidores estrangeiros no mercado acionário local em julho ajudou a dar alento à Bovespa. Até o dia 26, os estrangeiros mais compraram que venderam ações no montante de R$ 1,97 bilhão. O mês deve ser o segundo melhor de 2005. As ações de geradoras e distribuidoras de energia elétrica foram uma boa escolha na última semana do mês. O papel preferencial ?B?? da Celesc teve significativa valorização de 24,13%. A ação ON (ordinária, com direito a voto) da Light subiu 12,19% na semana passada. Apesar de seu bom desempenho, o mercado acionário não conseguiu evitar que houvesse saques nos fundos de ações. No dia 26 - último dado divulgado pela Anbid-, a modalidade registrava saque líquido mensal de R$ 165 milhões. Isso se explica pelo fato de a volatilidade assustar muito o investidor, que prefere se abrigar em aplicações menos arriscadas. ### Fundos FGTS-Vale lideram ranking A crise política fez de julho um mês de alta volatilidade no mercado financeiro. Mas quem saiu ganhando foi o investidor mais ousado, que teve sangue frio para continuar no mercado de ações. Apesar de todo o sobe-e-desce, foram elas que lideraram o ranking de aplicações de julho. A dianteira foi dos fundos com recursos do FGTS aplicados em ações da Companhia Vale do Rio Doce. Esses fundos renderam em média 12,1% no mês, graças ao bom desempenho das ações da companhia mineradora. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 4,16% em julho. O investidor que apostou no dólar conseguiu ganhos, mas não tão expressivos. A moeda americana subiu 1,97% em julho e ficou um pouco acima das aplicações consideradas conservadoras. Os fundos de renda fixa (juros prefixados) e DI (juros pós-fixados) renderam em média 1,4%. A caderneta de poupança continuou em torno de 0,7%. Todas as aplicações podem ser consideradas vantajosas, se levado em conta que o IGP-M de julho registrou deflação de 0,34%. Se os preços recuaram no mês, em tese os ganhos das aplicações foram ainda mais vantajosos. Ousadia Mas os analistas não incentivam um comportamento muito ousado ao pequeno poupador, pelo menos enquanto o cenário político ainda inspirar cuidados. A segurança das aplicações tradicionais ainda é o mais indicado ao pequeno investidor. Para quem tem dinheiro nos fundos com recursos do FGTS, a ordem é manter o dinheiro, devido à baixa rentabilidade do FGTS. Para Nicolas Balafas, consultor de investimentos da Planner Corretora, é necessário manter a cautela enquanto o cenário político não se definir. Mas ele afirma tendência é de recuperação dos papéis, levando em conta os fundamentos econômicos e a expectativa de divulgação de balanços positivos do primeiro semestre. ?Creio que Vale do Rio Doce, Aracruz e Caemi têm grande potencial para se destacar em um período de recuperação. São empresas prioritariamente exportadoras, que podem tirar vantagem da alta do dólar?, disse Balafas. LUCROS DAS TELES A Tele Norte Leste Participações (grupo Telemar) registrou lucro líquido de R$ 203,8 milhões no segundo trimestre deste ano, um avanço de 160% sobre igual período de 2004 e crescimento de 5,7% em relação ao primeiro trimestre do ano. No semestre, o lucro da Telemar foi de R$ 397 milhões, volume 32,8% maior do que nos primeiros seis meses de 2004, segundo dados divulgados pela empresa, que tem as ações mais negociadas na Bovespa. Para Roger Oey, do Banif Primus Banco de Investimento, o resultado do grupo Telemar no segundo trimestre não causou surpresas, já que ficou próximo do verificado nos primeiros três meses do ano (R$ 193 milhões). De acordo com ele, no geral, o desempenho do setor de telefonia, principalmente das empresas que englobam serviço móvel, foi desfavorável. No caso da Telemar isso não é tão perceptível porque, além de operar o serviço móvel, por meio da Oi, o grupo tem grande atuação no segmento de telefonia fixa, que apresentou pouca variação no período e enfrenta menor competição.