loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Mercadinhos roubam clientes das redes

Ouvir
Compartilhar

| MARCOS RODRIGUES Repórter A classe média aderiu à tentação dos mercadinhos ou minisupermercados de bairro. A sedução de preços baixos, qualidade e atendimento personalizado alterou o padrão dos freqüentadores e aqueceu negócios que a cada ano se consolidam. Os números mostram que os ventos batem a favor, para os empresários que investiram nos negócios de ?vizinhança?. É assim que o presidente da Associação dos Supermercados de Alagoas (ASA), Raimundo Barreto, define os pontos comerciais fora das áreas nobres da capital. ?Com o tempo criamos os nossos critérios de garantia da fidelidade do consumidor?, refletiu Barreto, dono Supermercado JR, na Serraria. Ele admite que agora os empresários estão em expansão dos serviços, mas sem se descuidar dos clientes que acompanharam o ?nosso crescimento?. Foi o que aconteceu com o Supermercado Brilhar, no Prado. Com pouco mais de uma década de existência, ele aumentou o espaço, contratou mais funcionários e conquistou clientes fiéis das áreas nobres da cidade. A saída para o desenvolvimento da loja veio com a criação de alternativas de compra, tão sofisticadas quanto às grandes redes. ?Aqui o cliente compra por telefone, por fax e ainda pode mandar até e-mail que nós entregamos depois?, confessou empolgado o gerente Genival Vieira. Agregado a isso eles ainda garantem um luxo, que é a lavagem do carro enquanto o cliente faz as compras. Os serviços da loja são também divulgados de forma criativa. Depois de uma breve passagem pela TV, o Brilhar anuncia suas ?vantagens? através de um carro de som personalizado, que percorre as ruas do bairro. ?Não podemos deixar de acreditar no consumidor da vizinhança que está sempre comprando à vista e garantindo nosso capital de giro?, revelou Genival. Ascensão A ascensão dos comércios populares passou também pelo investimento na qualidade dos produtos expostos. O reflexo disso pode ser percebido durante a 9ª Feira de Negócios do setor, realizada no mês passado. Segundo o presidente da ASA, Raimundo Barreto, o volume de negócios demonstrou o interesse dos investidores do setor. ?Não perdemos para nenhuma grande rede?, destaca Barreto. Quem concorda com isso é o gerente de Marketing, Adair José Guth, da empresa Parati. Ele foi um dos expositores da feira e confirmou que sua marca pretende ampliar suas bases no Nordeste. ?Temos um produto de boa aceitação no mercado. E nesse caso os pequenos comerciantes, para nós, têm o mesmo tratamento que os líderes do setor?, garantiu Guth. Locais O consumidor, atualmente, pode encontrar esses mercadinhos em vários locais. No Benedito Bentes, Cambona, Jacintinho, Vergel, Prado ou Santa Lúcia (Tabuleiro), é possível contar com esses estabelecimentos de perfil popular. Um outro segredo é o investimento em pessoal. As funções de comando, normalmente, são ocupadas por integrantes da família. É o que revela Maurício Omena, gerente do Mercadinho Líder, na Santa Lúcia. Com os irmãos, eles trabalham até 12 horas por dia para garantir o funcionamento do negócio. ?É claro que as economias que fazemos com o pagamento de salários vai se refletir no final para o consumidor?, conta Maurício. Ele revelou, ainda, que a ?simpatia? dos clientes pela loja também está no clima ?caseiro? que criamos para atender às pessoas. ?Com o tempo você termina conhecendo os clientes até pelo nome. É isso que eles querem?, sentencia o gerente. ### Pequenos fornecedores são favorecidos A arquitetura dos mercadinhos também chama a atenção. Enquanto os concorrentes dos bairros nobres investem em piso de granito e ambiente climatizado, na periferia a limpeza é o forte. Já o design dos prédios, quase todos, assemelha-se a grandes galpões com ventilação natural ou movida a ventiladores. E, ainda assim, atraiu a classe média. Na avaliação do professor de economia Edmilson Veras, em geral, todos querem ver os rendimentos se adequarem aos custos. A médica Régia Cavalcante, moradora do condomínio fechado Aldeberan, é uma das que já aderiram às facilidades e aos preços baixos. Ela explica que não se arrepende da opção que fez há pouco mais de cinco anos. ?Consigo comprar os mesmos produtos que encontrava nos grandes com a diferença de não ter tanta opção de supérfluo que termina nos fazendo comprar mais?, analisou Régia enquanto fazia compras no Cesta de Alimentos, no Jacintinho. Régia conta que a opção pelos populares passou a representar no orçamento doméstico uma economia em torno dos 12% no valor final. ?E ainda com as mesmas facilidades de pagamento de qualquer outro local?, acrescentou. Confiança A confiança que se desenvolve na relação entre consumidor e proprietário também é um ponto positivo observado pelos clientes. É isso que despertou o interesse do funcionário público Paulo Duarte de Oliveira. ?Além dos preços e da comodidade, gosto da variação de itens que passei a encontrar?, confessou Paulo que freqüenta o Supermercado JR há quatro anos. A Gazeta constatou que os consumidores destes locais estão alheios à disputa das grandes redes. No auge da disputa pelos clientes, eles não hesitam em expor o preço da concorrência, prática essa que já despertou até a Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). A fim de defender o interesse do consumidor, o órgão realiza pesquisas mensais em 22 estabelecimentos. Os dados podem ser encontrados na página www.procon.al.gov.br. As pesquisas de preços são realizadas entre os dias 15 e 25 de cada mês. Desenvolvimento Mas, um outro ponto positivo dos mercadinhos de bairro está no desenvolvimento de outros pequenos negócios. O casal José Araújo Júnior e Maria Hilda Araújo é um dos beneficiados. Fabricantes de pizzas, eles encontraram apoio dos mercadinhos para desenvolver o próprio negócio. A ajuda veio do Mercadinho Líder, que passou a revender as pizzas produzidas em casa. ?O desenvolvimento deles combina com o nosso. Hoje conseguimos manter até uma funcionária graças ao aumento das vendas?, admitiu José Araújo. O negócio saiu da informalidade e hoje já é uma marca que tenta transpor até o bloqueio das grandes redes. No local, onde está instalado o Mercadinho Líder, até o aspecto urbano mudou. A rua que era de barro foi asfaltada e as residências no entorno do prédio aumentaram o seu valor de mercado. |MR

Relacionadas