Economia
Estrangeiros investem R$ 2,5 bi no Pa�s
| FOLHA ONLINE Mesmo com o agravamento da crise política em julho, os investidores estrangeiros trouxeram mais R$ 2,509 bilhões para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no período. O saldo positivo, resultado dos R$ 10,950 bilhões trazidos do exterior menos os R$ 8,442 bilhões que deixaram a Bolsa no mês, é o maior desde fevereiro (R$ 3,703 bilhões). Após o excelente saldo daquele mês, o fluxo ficou negativo em março (saída de R$ 1,5 bilhão), abril (-R$ 1,9 bilhão) e maio (-R$ 709 milhões), mas começou a reagir em junho (R$ 354 milhões). Nos sete primeiros meses deste ano, o saldo acumulado de investimento estrangeiros na Bovespa soma R$ 3,008 bilhões. Mantido esse resultado até o final de 2005, a Bolsa paulista teria o terceiro melhor resultado dos últimos 12 anos, perdendo apenas para 2003 (R$ 7,495 bilhões) e 1996 (R$ 3,380 bilhões). Os investidores estrangeiros parecem apostar que a crise política, agravada com a sucessão de escândalos e a admissão por parte de integrantes do PT de que montaram um esquema de caixa dois para o financiamento de campanhas, não vá atingir membros da equipe econômica nem o presidente Lula. Além disso, a visita ao Brasil e os elogios do secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, reforçaram a confiança dos investidores na manutenção da política econômica e na continuidade do esforço fiscal para o pagamento da dívida do país. Com essas condições, os investidores apostam que o ambiente econômico continuará favorável para o crescimento dos lucros das empresas, o que os atrai à Bolsa. O dólar carimbou a sétima queda seguida em meio à crise política e fechou na menor cotação desde 12 de abril de 2002. A moeda norte-americana encerrou ontem a R$ 2,311 na venda, uma baixa de 1,32% no dia, acumulando desvalorização de 6,13% desde a terça-feira da semana passada. Cenário econômico Segundo analistas, os fundamentos econômicos positivos do País e os ingressos de recursos por meio de exportações e captações sustentam a queda da moeda. O Banco Central divulgou ontem que o fluxo cambial ficou positivo em mais de US$ 2 bilhões no mês passado. ?Hoje ficou claro que a crise política não está interferindo no câmbio?, afirmou Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros. Ele ressaltou que o dólar apresentou queda também em relação a outras moedas ontem. No final da tarde, o euro, por exemplo, era cotado a US$ 1,2334, avanço de mais de 1% em relação ao dia anterior. De acordo com o analista, a queda dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA desfavoreceu o dólar em relação a outras moedas. Paulo Fujisaki, da corretora Socopa, avalia, entretanto, que o mercado continua atento ao cenário político. ?Sempre há uma expectativa nos dias de depoimento na CPI, mas isso não tem complicado os negócios nos últimos dias?, afirmou.