Economia
Estatais n�o investem e elevam o aperto fiscal
| VIVALDO DE SOUSA Globo Online O atraso nos investimentos das empresas estatais foi um dos fatores que ajudaram o setor público a realizar um aperto fiscal recorde no primeiro semestre deste ano. Segundo levantamento do Ministério do Planejamento, as estatais acumularam, neste ano, superávit primário de R$ 4,397 bilhões, valor 406% maior do que o apurado entre janeiro e junho de 2004. O esforço fiscal feito pelas estatais supera até as metas internas que o governo havia fixado para os primeiros seis meses deste ano. Pela programação, as empresas controladas pelo governo federal deveriam registrar déficit de R$ 290 milhões no primeiro semestre para depois reverter o resultado e fechar 2005 com superávit de R$ 15,2 bilhões. Boa parte das contribuições para o esforço fiscal veio da Petrobras e da Eletrobrás, as principais estatais que contribuem para o desempenho das contas públicas. No caso da Petrobras, o impulso veio das maiores vendas de petróleo e derivados tanto no mercado interno como no externo, favorecidas pela alta nos preços internacionais do petróleo. Pela programação do governo, a Petrobras encerraria os primeiros seis meses do ano com déficit primário de R$ 2,452 bilhões. O que se observou, porém, foi um resultado positivo de R$ 720 milhões ? em igual período de 2004, havia sido registrado déficit de R$ 955 milhões. Na Eletrobrás, o superávit primário obtido foi ainda maior: R$ 1,783 bilhão entre janeiro e junho deste ano, valor superior aos R$ 423 milhões previstos na programação do governo. O resultado deste ano é 149% superior ao registrado em igual período de 2004. A maior contribuição da Eletrobrás para o esforço fiscal do setor público se deveu a atrasos nos investimentos. Esperava-se que a estatal investisse R$ 2,1 bilhões no primeiro semestre deste ano, mas o valor efetivamente liberado ficou em R$ 1,079 bilhão. Segundo informou a Eletrobrás, é normal a ocorrência de uma demora maior no andamento dos investimentos no começo de cada ano, mas o ritmo de gastos deve se acelerar neste semestre.