Economia
Nobel da Economia critica juros altos praticados no Brasil
| JANAINA LAGE Folha Online O prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz afirmou esta semana que o Brasil deveria enfatizar mais a criação de emprego. Segundo ele, o país tem feito pouca coisa para estimular o crescimento do mercado de trabalho. ?Acho que as taxas de juros obviamente estão num nível que tornaria a criação de empregos muito difícil?, afirmou. Ao responder uma pergunta do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, sobre a eficácia dos programas de distribuição de renda, Stiglitz citou um exemplo norte-americano. Segundo ele, o presidente Clinton ficou muito preocupado quando o presidente do Fed, o Banco Central norte-americano, Alan Greenspan, propôs elevar a taxa de juros de 3,5% para pouco mais de 4%, com receio que o aumento dos juros reais interrompesse a criação de vagas. Ao falar do Brasil, comparou as duas economias: ?No Brasil, a infra-estrutura econômica não é tão forte e o país tem uma das mais altas taxas de juros do mundo?, disse. Stiglitz citou a taxa de câmbio elevada e a falta de financiamento como outros fatores que podem inibir o crescimento, mas sem alusões específicas ao Brasil. O economista destacou o emprego e a geração de renda como principais medidas de crescimento. ?A maneira mais importante de reduzir a pobreza é criar emprego?, afirmou. Inflação O prêmio Nobel criticou também a política econômica voltada exclusivamente ao combate à inflação. ?Está errado ter foco único na inflação. Nosso banco central focaliza também emprego e crescimento. O FMI incentiva aos demais países que se pense somente em inflação?, disse. Para o economista, o Produto Interno Bruto (PIB) não serve como parâmetro exato do crescimento de um país porque ele não traz informações sobre a renda dos cidadãos, ou seja, pode apresentar taxas elevadas sem que isso represente melhora do padrão de vida. Stiglitz participou quarta-feira do Seminário Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) sobre Desenvolvimento Econômico com Eqüidade Social no Rio de Janeiro.