Economia
IPCA registra ligeira alta em julho
| JANAÍNA LAGE Folha Online A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,25% em julho, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês anterior, o principal índice de inflação do País havia apurado deflação de 0,02%, a primeira taxa negativa em dois anos. O resultado de julho ficou levemente abaixo das previsões de analistas. Segundo o último Relatório de Mercado, organizado pelo Banco Central, a expectativa era de que o índice apurasse alta de 0,27%. O comportamento dos preços foi influenciado principalmente pelo aumento do telefone fixo, que representou 60% da inflação de 0,25%. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou um reajuste de 7,27% para o telefone fixo, o que fez as contas ficarem 4,21% mais caras em julho. Os combustíveis também contribuíram para que a inflação se acelerasse de junho para julho. O álcool ficou 2,05% mais caro e a gasolina, 0,87%, e juntos foram responsáveis por 0,06 ponto percentual da inflação de 0,25%. O álcool acumula no ano queda de 13,36% e a gasolina, de 0,90%. Combustíveis Segundo o IBGE, o aumento nos preços no mês passado reflete a tentativa dos produtores de cana-de-açúcar de recompor margens em Curitiba, São Paulo, Goiânia, Porto Alegre e Fortaleza, onde os preços estavam mais defasados. ?O movimento da inflação é claramente de desaceleração de preços?, afirmou a gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Em julho, a inflação ficou praticamente concentrada em telefone e combustíveis, que juntos somaram 0,20 ponto percentual. A maioria dos produtos pesquisados no índice mostrou estabilidade ou queda de preços. Os produtos alimentícios ficaram 0,77% mais baratos com o período de safra de vários produtos. O principal impacto negativo foi das carnes, de -1,85%. Já a batata inglesa caiu 23,95%. Outros produtos também ficaram mais baratos em julho, como azeite (-6,71%), tomate (-6,19%), feijão preto (-3,89%), açúcar refinado (-3,60%), arroz (-2,63%), leite pasteurizado (-2,50%) e óleo de soja (-2,21%). ?A gama de produtos alimentícios que caíram é imensa. A não pressão sobre a inflação está muito convincente nesses índices?, afirmou a técnica do IBGE. Dólar A queda do dólar teve papel fundamental no recuo dos preços alimentícios. Segundo o IBGE, 60% dos custos dos insumos agrícolas estão vinculados ao dólar, o que garante um efeito indireto sobre os alimentos. Além disso, o recuo no preço de commodities também contribuem para a queda de produtos industrializados. O efeito do dólar pode ser verificado também em artigos de limpeza (-0,02%) e artigos de TV e som (-0,34%). Outros itens que ficaram mais baratos foram energia elétrica (-0,37%), gás de cozinha (-0,35%) e ônibus urbano (-0,22%). Segundo o IBGE, não existem pressões fortes para o IPCA de agosto.