Economia
Governo quer elevar super�vit para 5%
| JANAINA LAGE Folha Online O presidente do PT, Tarso Genro, afirmou ontem que a equipe econômica vai apresentar uma proposta de elevação do superávit primário em 2006 de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para 5%. Genro classificou o aperto adicional nas contas do governo como ?exagerado? e disse esperar que o governo tivesse em seu último ano de mandato mais fôlego para recompor a infra-estrutura do país. ?A área econômica do governo está apresentando agora, vejam bem do que eu me livrei, um orçamento para o ano que vem propondo legalmente um superávit de 5%. Se eles propõem 4,25% e estão fazendo mais de 5%, se eles propuserem 5% vão fazer mais de 6%?, afirmou. Segundo o presidente do PT, Palocci já encaminhou documento ao partido com o objetivo de iniciar a discussão sobre o aumento do superávit. De acordo com Genro, o Brasil já recuperou a confiabilidade institucional e financeira para cumprir o superávit previsto no orçamento, sem necessidade de uma economia adicional. ?O FMI exigia 3,75%, nós propusemos 4,25%, pra quê mais?? Genro afirmou que Palocci é digno de elogios, mas que esperava uma flexibilização maior da política econômica no decorrer do mandato. ?Minha contrariedade é não termos começado uma transição para juros mais baixos e superávit primário mais justo?, afirmou. Apesar das contrariedades quanto ao rumo da política econômica, Genro afirmou que o presidente não vai tomar nenhuma medida econômica de caráter populista para fazer frente à crise política. O presidente do PT concedeu entrevista coletiva à imprensa internacional no Rio de Janeiro. O que é superávit? Superávit primário do setor público consolidado é o quanto de receita a União, os Estados, os municípios e as empresas estatais conseguem economizar, sem considerar os gastos com os juros da dívida. O governo argumenta que precisa fazer superávits primários pois se trata da única forma de conter o aumento da dívida pública e de evitar a moratória no futuro. Para aumentar o superávit primário, o governo foi obrigado nos últimos anos a aumentar a arrecadação de impostos e a promover mais cortes nos gastos previstos no Orçamento. Ambas as medidas são impopulares e contribuíram para limitar o crescimento da economia brasileira. Isso, por sua vez, implicou no aumento do desemprego e na queda da renda.