Economia
Crise pol�tica preocupa vizinhos
| BBC BRASIL Os setores industriais da Argentina, incluindo o automotivo, são os mais preocupados com os efeitos da crise política brasileira na economia. A opinião é do economista Juan Sabala, da consultoria Abeceb. Segundo ele, o mercado brasileiro é vital para esse ramo da economia. Para o economista e outros especialistas dos países vizinhos, se o Brasil crescer menos, comprará menos e, com a retração do mercado interno brasileiro, o País poderia acabar exportando ainda mais ? ou seja, renasceria a preocupação com a ?invasão de produtos brasileiros? na região. Nos últimos dias, logo após o depoimento do publicitário Duda Mendonça no Congresso, os jornais argentinos e chilenos voltaram a destacar os recentes episódios e possíveis reflexos da crise brasileira. Desde que as denúncias de corrupção surgiram, há pouco mais de 60 dias, os principais jornais vêm destacando cada capítulo da situação política do Brasil. Mas agora voltaram a intensificar, com mais espaço e chamadas nas primeiras páginas, a cobertura sobre o que ocorre no maior sócio do Mercosul. O motivo: preocupação com os efeitos em seus próprios países. O jornal argentino La Nación publicou a manchete no suplemento de economia: ?Teme-se que a crise no Brasil afete a economia argentina?. O jornal chileno La Tercera perguntou em seu editorial, no fim de semana: ?A via crucis de Lula nos atinge??. No texto, a conclusão era que o crescimento econômico chileno, previsto para 6% neste ano, poderá ser prejudicado pela crise brasileira. A situação tem merecido tanta atenção que até setores menos vinculados ao mercado brasileiro, como o de grãos, também acompanham, atentamente, o desenrolar da crise. É o caso do empresário Gustavo Grobocopatel, maior produtor de soja da Argentina, e dono de negócios no Uruguai e Paraguai e planos de investimentos no Brasil. Ele disse que a economia argentina é dependente da brasileira e que a desvalorização do real no Brasil, há cinco anos, obrigou a Argentina a desvalorizar sua moeda. Apesar disso tudo, acrescentou o empresário, ele é otimista. ?O Brasil é um exemplo para os demais. Foi assim quando elegeu Lula e agora, em plena crise, quando mostra que tem instituições fortes?. Segundo Grobocopatel, aconteça o que acontecer, o Brasil, pelo seu tamanho, peso político e econômico, vai continuar dando o norte para a região. E por isso mesmo tem merecido tanta atenção. Crescimento A economia brasileira terá o terceiro menor crescimento econômico neste ano, à frente apenas do Paraguai e de El Salvador, segundo estudo da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), divulgado há duas semanas. O crescimento do País deverá ser de 3% neste ano, menos que os 4% previstos em abril, afetado principalmente pelas altas na taxa de juros do Banco Central, diz o estudo da comissão. Considerados os países do Mercosul, desde os membros do bloco até os países associados, o crescimento previsto para o Brasil supera apenas o do Paraguai. A economia da Argentina deverá apresentar a maior expansão na América Latina neste ano, com crescimento previsto de 7,3%. Em segundo lugar vem a Venezuela (país associado do Mercosul), com crescimento previsto de 7% neste ano, seguida do Uruguai, que deverá ter crescimento de 6,2%. O Chile e a Bolívia (os outros países associados do Mercosul) deverão crescer 6% e 3,5% respectivamente.