Economia
Super�vit recorde em conta corrente
| ENIO VIEIRA O Globo O Banco Central informou ontem que a conta de transações correntes (soma de comércio exterior, viagens internacionais, pagamentos de juros e remessas de lucros e dividendos) registrou superávit de US$ 2,592 bilhões em julho, um valor bem acima do US$ 1,807 bilhão de julho do ano passado. Esse é o melhor resultado mensal desde 1947. O motivo do aumento foi o resultado da balança comercial, que passou de superávit de US$ 3,466 bilhões para um saldo de US$ 5,012 bilhões. Nos sete primeiros meses do ano, as contas externas brasileiras acumulam superávit de US$ 7,876 bilhões, o que equivale a 1,83% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, o saldo positivo foi de US$ 3,220 bilhões. No ano, deve ficar em US$ 4 bilhões. A previsão anterior era de US$ 4,8 bilhões, mas foi revista porque o déficit na conta de viagens está acima do esperado, segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC. A previsão era de que a conta de turismo tivesse um déficit de US$ 200 milhões no ano, mas o acumulado entre janeiro e julho já está negativo em US$ 408 milhões. Agora, a previsão é que fique em US$ 800 milhões no ano. O balanço de pagamentos, que reflete todas as movimentações de recursos feitas entre o País e o exterior, está superavitário em US$ 4,623 bilhões no ano. O balanço inclui o resultado das transações correntes mais a conta capital e financeira (que representam as operações financeiras do país com o exterior) e o ingresso de investimentos estrangeiros. No mês passado, no entanto, ficou negativo em US$ 5,009 bilhões, em razão da antecipação de pagamentos ao FMI (Fundo Monetário Internacional) no valor de US$ 4,976 bilhões. Nos últimos 12 meses, as transações correntes têm superávit de US$ 13,904 bilhões, o que equivale a 1,94% do PIB. Em julho, a conta capital estrangeiro (empréstimos externos e investimentos estrangeiros) ficou negativa em US$ 7,08 bilhões. O governo pagou no mês passado US$ 4,976 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI), contra US$ 1,405 bilhão em julho do ano passado. Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil somaram US$ 2,035 bilhões em julho, contra US$ 1,6 bilhão em julho do ano passado. Dívida externa A dívida externa total brasileira encerrou maio em US$ 198,3 bilhões ? o menor patamar desde dezembro de 1997, quando ficara em US$ 191,6 bilhões. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a redução tem ocorrido porque desde 2002 o país tem renovado menos o volume total da dívida. Altamir Lopes acredita que o valor para junho não deve ter grande alteração, já que a taxa de rolagem em junho ficou próxima de 100%. Exportações A queda do dólar ainda não foi suficiente para tirar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. As exportações acumulam neste ano um crescimento de 23,2%, enquanto as importações avançaram 19%. No ano, as exportações brasileiras somam US$ 69,519 bilhões, enquanto as importações de US$ 43,097 bilhões ? um saldo positivo acumulado de US$ 26,422 bilhões. No mês, o superávit acumulado já alcança US$ 1,744 bilhão.