Economia
Produtos do Brasil viram fil�o nos EUA
| CÍNTIA CARDOSO Folhapress Pão de queijo, feijão preto, chinelos de borracha. O kit básico do brasileiro saudosista que mora no exterior movimenta uma indústria que sai do amadorismo da importação de lembrancinhas ?made in Brazil? para se tornar o principal filão de muitos exportadores brasileiros. Um reflexo da expansão do ?mercado da saudade? é a construção de um shopping center voltado exclusivamente para produtos brasileiros em Los Angeles. O Brazilian Mall, que deve ser inaugurado em dois meses em Venice Boulevard, vai abrigar lojas de roupas, supermercado, restaurantes, açougue e escritórios de serviços. No total, devem ser 25 estabelecimentos comerciais. A partir de janeiro de 2006, está prevista a construção de um anexo do shopping com uma creche brasileira e uma escola em português. O empreendimento custou cerca de US$ 2 milhões. ?Esse shopping é voltado para a comunidade brasileira, mas queremos também atrair americanos que já visitaram o Brasil e têm vontade de encontrar aqui nos EUA os produtos dos quais gostaram?, diz Marcelo Gomez, empresário brasileiro radicado em Los Angeles. O empresário afirma que ainda está à procura de empreendedores para um espaço destinado a um restaurante e também para investir em um salão de beleza. Gomez começou com ?uma lojinha de fundos? com produtos brasileiros em meados dos anos 90. ?Em cinco anos, a loja cresceu mais de seis vezes e, agora, tive que comprar o prédio inteiro?, conta. O site da loja vende, em média, US$ 50 mil por mês. Cerca de 80% dos produtos são vendidos para clientela brasileira. Mas, na hora da compra, os gostos de brasileiros e americanos se aproximam: café, produtos à base de açaí, guaraná, salgadinhos congelados e Havaianas são os mais solicitados. Os brasileiros, entretanto, também têm pedidos mais específicos, como forminha para brigadeiro, panela de pressão e, é claro, biquínis. ?Os pedidos são muito variados. É muito difícil ter tudo em estoque. Para apagar ?incêndios? nas encomendas, temos um motoboy em São Paulo que faz as compras urgentes e despacha para os EUA?, diz Gomez. A comerciante brasileira Nanci Leinard, que tem uma loja de artigos brasileiros na Flórida, também resolveu investir na ?moda do Brasil?, como define. ?Hoje 10% dos nossos clientes não são brasileiros e esse número pode crescer?, diz. Mas o foco da loja vai continuar a ser os consumidores verde-amarelos. ?É o nosso cliente mais especial. Ele se sente em casa. Mesmo que não tenha condição de comprar muito, nunca deixa de adquirir alguma coisinha todo mês.? ### Importadoras investem em clientes estrangeiros Com cerca de 30 anos de operações de comércio exterior, a importadora luso-americana Triunfo, com sede em Newark, no Estado de Nova Jersey, decidiu importar artigos brasileiros há dez anos. Na ocasião, a política cambial do Plano Real era pouco atraente para as exportações e o leque de fornecedores não era tão amplo. ?Só de uns seis anos para cá é que as importações do Brasil explodiram. Hoje, temos mais de 2.000 itens. Todos no setor de alimentação?, diz Adel Campos, encarregado de importações da empresa. Por mês, a Triunfo leva 60 contêineres do Brasil que são distribuídos para cidades nos Estados Unidos e no Canadá. A importadora também começou a repassar recentemente artigos para grandes redes de supermercado norte-americanas. Estimativas dos próprios comerciantes calculam que haja, pelo menos, 1.200 lojas com produtos brasileiros nos EUA. Apesar de entusiasmados com o sucesso dos produtos brasileiros, os empreendedores dizem que a tarefa não é fácil. Todos os produtos alimentícios precisam de autorização do FDA (agência norte-americana que fiscaliza bens alimentícios e farmacêuticos) para serem comercializados naquele país. Mais caros Segundo as importadoras, produtos como palmito e guaraná diet ficaram mais de um ano na espera antes de serem aprovados pelas autoridades americanas. Tendo o mercado dos EUA como principal alvo das suas vendas externas, a Yoki, que tem como produto de destaque a massa para pão de queijo, tem ampliado, em média, em 15% as suas exportações. ?Já exportamos há muito tempo, mas só há cinco anos nos concentramos mais no mercado exterior. Nós nos esforçamos para atender a comunidade brasileira, mas queremos cativar clientes estrangeiros também?, diz Gabriel João Cherubini, vice-presidente da Yoki. ### Índia manda Coca-Cola fechar fábrica A agência estatal de meio-ambiente do Estado de Kerala, no sul da Índia, ordenou na última sexta-feira à multinacional Coca-Cola que feche uma de suas maiores fábricas no país. A fábrica não teria cumprido as regulamentações ambientais. O presidente da Comissão para o Controle da Poluição, G. Rajmohan, disse que a ordem foi para fechamento imediato e explicou que a fábrica de refrigerante Coca-Cola não tem conseguido separar de seus dejetos o metal cádmio, que pode causar prejuízos ao meio-ambiente. A fábrica é uma das maiores dentre as 27 que a Coca-Cola possui na Índia.