Economia
BNDES financia ferrovias nordestinas
| FOLHA ONLINE O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a criação do Programa de Apoio Financeiro a Investimentos em Ferrovias nas regiões Norte e Nordeste. O objetivo do novo programa é incentivar a implantação de projetos de infra-estrutura de transporte ferroviário de cargas na área. O programa apoiado pelo BNDES terá taxas entre 1% e 1,5% sobre a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, atualmente em 9,75% ao ano). O banco destaca que o programa tem taxas inferiores aos 3% sobre a TJLP cobrados nos financiamentos atuais para o setor ferroviário nas regiões incentivadas. A linha contará com um orçamento de R$ 1 bilhão até 30 de junho de 2009 e juros de 1% sobre a TJLP, quando houver participação de recursos fiscais nos investimentos. Os prazos de pagamento serão determinados em razão da capacidade financeira do grupo econômico, da empresa e do empreendimento. O transporte ferroviário responde por cerca de 21% do transporte brasileiro, um patamar muito abaixo da participação das rodovias, de 61%. Segundo o BNDES, a grande dependência do transporte por rodovias resulta em uma matriz desequilibrada e em custos logísticos excessivos. O banco destaca que nas regiões Norte e Nordeste, os impactos benéficos dos investimentos em infra-estrutura são mais relevantes em razão do baixo nível de emprego e da existência de grandes áreas sem atividade econômica, por falta de transporte de carga a custo reduzido. A quantidade de cargas transportadas em ferrovias na região Nordeste encontrava-se no ano passado nos mesmos níveis de 1998. A abrangência da malha ferroviária na região Norte é muito pequena. Ela é formada por apenas duas ferrovias: a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Norte-Sul. Desembolsos Os desembolsos do BNDES cresceram 16% no acumulado do ano até julho e somaram R$ 24,5 bilhões. O crescimento foi motivado principalmente pelo maior ritmo de liberações para a indústria, que teve expansão de 39% e para a infra-estrutura, com crescimento de 19%. Apesar do resultado positivo, os desembolsos do banco ainda estão muito longe da meta prevista para este ano, de R$ 60 bilhões. As liberações para a indústria chegaram a R$ 11,7 bilhões de janeiro a junho. Os desembolsos para a infra-estrutura somaram R$ 8,8 bilhões. Segundo o BNDES, as linhas de financiamento que tiveram maior volume de desembolsos foram para o financiamento da exportação e o Finame (compras de máquinas e equipamentos). As liberações para apoio a exportações somaram US$ 2,7 bilhões, com crescimento de 34% sobre o período janeiro a julho do ano passado. O Finame teve desembolsos de R$ 5,6 bilhões, um resultado 69% superior ao de 2004. As aprovações de novos financiamentos somaram R$ 28,3 bilhões, um montante 31% superior ao dos primeiros sete meses de 2004. Os enquadramentos, que representam o primeiro nível de aceitação de pedidos de apoio financeiro ao BNDES, atingiram até julho R$ 51,6 bilhões, com crescimento de 45% em relação a igual período do ano passado. As cartas-consulta somaram R$ 52,6 bilhões, um resultado 7% superior ao de igual período do ano passado. As consultas são o primeiro contato para obter financiamento do banco e indicam a disposição do empresariado para realizar novos investimentos.