Economia
E-commerce cresce 30% no Brasil
| Folha Online São Paulo As lojas virtuais brasileiras faturaram, no primeiro semestre deste ano, R$ 974 milhões - aumento de 30,7%, se comparado com os R$ 745 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. Na primeira metade deste ano, o número de pedidos de compra também cresceu 30%, chegando aos 3 milhões. O faturamento de todo o ano passado ficou em R$ 1,7 bilhão. Segundo a empresa de pesquisas de comércio eletrônico e-bit, que divulgou os números, as expectativas para 2005 estão por volta dos R$ 2,3 bilhões. A companhia afirma que a movimentação do primeiro semestre está ligada ao aumento da base de clientes do e-commerce nacional: 4 milhões de usuários tiveram pelo menos uma experiência de compra on-line no Brasil. No primeiro semestre de 2004 eram 2,8 milhões de usuários, enquanto a segunda metade do ano passado registrou 3,25 milhões de compradores. O valor do tíquete médio das compras não sofreu alterações entre os dois anos, ficando em R$ 297. Também manteve-se parecido o perfil do e-consumidor - 71% deles têm entre 25 e 49 anos, e 58% são do sexo masculino. Compras Na hora de comprar, diz o estudo, o nome da loja é importante para os internautas brasileiros. Cerca de 22% das compras foram feitas pela digitação direta do endereço virtual. Outros 14% dizem ter se motivado a comprar na WEB depois de receberem promoções via e-mail. Cerca de 81% dos compradores se disseram satisfeitos com o serviço das empresas - nesse item são considerados fatores como a entrega do produto dentro do prazo determinado pela loja. A lista dos produtos mais vendidos continua sendo liderada pelos CDs, DVDs e vídeos - 22% de participação em 2005, contra 27% em 2004. Em segundo lugar vêm os Livros, Revistas e Jornais, que, apesar da boa colocação, também apresentaram queda (17% em 2005; 21% em 2004). As demais categorias tiveram crescimento na participação. Os equipamentos eletrônicos, em terceiro lugar, foram de 10% em 2004 para 12% em 2005. Em quarto lugar vem Saúde e Beleza (8% em 2005; 7% em 2004), seguida por Eletrodomésticos (7% em 2005; 6% em 2004). Automóveis A categoria de automóveis respondeu, no primeiro semestre deste ano, por 62,45% do volume financeiro transacionado pela internet no Brasil - no total, foram R$ 4,6 bilhões, segundo o índice VOL (Varejo On-line). Com R$ 2,87 bilhões, as montadoras e revendedoras de veículos ficam na frente do setor de bens de consumo (R$ 1,06 bilhão; 23,12% do total), que considera as lojas virtuais e os leilões para pessoa física. Em terceiro lugar vem turismo, com R$ 664,3 milhões e 14,43% do volume das negociações. Juntas, as três categorias formam o índice VOL, elaborado pela E-Consulting e Camara-e.net (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico). O relatório afirma que os R$ 4,6 bilhões do semestre passado representam crescimento de 30,66% em relação ao primeiro semestre de 2004. Durante todo o ano de 2005, o valor deve chegar a R$ 9,8 bilhões. Os bons resultados registrados na WEB devem contribuir também para o sucesso do varejo off-line. ?Para cada transação fechada on-line, a Internet é diretamente responsável por pelo menos outras quatro compras realizadas no comércio tradicional?, afirma Cid Torquato, diretor-executivo da Camara-e.net. Empresas As transações virtuais entre empresas e nos mercados eletrônicos chegaram a R$ 118,3 bilhões no primeiro semestre deste ano. O valor é 28,4% superior aos R$ 92,1 bilhões registrados no ano passado, segundo o índice B2Bol (B2B on-line), referente ao mercado brasileiro. A cifra é dividida entre B2B Companies (R$ 88,7 bilhões) e e-marketplaces independentes (R$ 29,6 bilhões). A diferença entre as duas categorias está na maneira como elas negociam. O primeiro grupo (B2B Companies) trata de negócios feitos somente entre uma empresa e seus fornecedores cadastrados, com quem ela já tem contrato. Os e-marketplaces independentes, por sua vez, podem ser utilizados por qualquer companhia em um portal que viabilize as transações - caso do Mercado Eletrônico, por exemplo. ?Prevemos uma rota de crescimento sustentável ao longo de 2005 e 2006 na ordem média de 36% ao ano, caso a blindagem da economia seja bem-sucedida?, afirma Daniel Domeneghetti, sócio da E-Consulting e vice-presidente de estratégia da Camara-e.net. As duas organizações são responsáveis pelo B2Bol. Nos Estados Unidos Em 2005, as transações de comércio eletrônico nos Estados Unidos devem movimentar US$ 142,5 bilhões. A informação é de um relatório da e-Marketer, que analisa os dez anos da existência de e-commerce. O estudo divulga os números movimentados pelo setor nos últimos anos e também faz previsões: o mercado que em 2003 faturou US$ 94 bilhões deve chegar aos US$ 232 bilhões em 2008. A maior média de crescimento nos últimos anos ficou entre 2003 e 2004, quando as transações foram de US$ 94 bilhões para US$ 117,7 bilhões (aumento de 25,2%). A tendência é que essas percentagens reduzam nos próximos anos e o crescimento deve ficar na casa dos 16%.