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Setor de delivery cresce em Alagoas

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NIVIANE RODRIGUES Repórter Um negócio em franca expansão. É assim que empresários e proprietários de pequenos estabelecimentos comerciais definem o sistema delivery ou simplesmente de entrega em domicílio. Em Alagoas, nos últimos seis anos, o serviço cresceu tanto que se tornou quase obrigatório para quem deseja manter-se no mercado. A estimativa de aumento neste período é de 60%, mas a tendência, segundo o empresariado, é atingir, a curto prazo, 100%. No começo eram apenas pizzas. Hoje, o serviço abrange os mais diversos e curiosos produtos que vão de sorvete, bebidas, livros, DVDs, ingressos para cinema e shows a inscrições em cursos e transações bancárias. Tudo sem precisar sair de casa. dos eua para alagoas De olho no mercado alagoano, o paulista André Sampaio Castelloti e a sócia, a gaúcha Juliana Giuliani, instalaram há seis anos em Maceió a primeira central de delivery de Alagoas. O modelo foi copiado dos Estados Unidos e tem atraído empresários locais e de outros estados. Atualmente, a central atende em Maceió 25 restaurantes, lanchonetes e sorveterias, além de bancos, cinemas, casas de diversão, planos de saúde, escritórios de advocacia, concessionárias de veículos e floriculturas. O funcionamento é simples: uma rede interligada por computadores e telefones, que funciona das 8 às 23 horas, atende aos pedidos. No primeiro contato é feito o cadastro do cliente. Funcionárias se comunicam com os restaurantes. Um motoboy é deslocado até o estabelecimento, onde recebe o pedido solicitado e leva para o cliente. O tempo de espera depende do pedido, mas em geral demora entre 35 a 50 minutos, nos dias de maior movimento. Para facilitar a escolha, a empresa criou um catálogo em forma de revista com tiragem de 15 mil exemplares e circulação trimestral, distribuída gratuitamente com os assinantes e hotéis. A revista-cardápio é impressa em São Paulo e a cada edição traz na capa um dos pratos servidos pelos restaurantes anunciantes. Pela divulgação e o telemarketing é cobrada uma taxa do empresário, valor que o dono da central prefere não revelar. Por dia, André Sampaio diz que são feitos cerca de 100 pedidos de refeições, numa média de 3 mil por mês. Já os serviços mais recentes, como negócios bancários, totalizam cerca de mil solicitações. ?O interessante é que no caso de refeição, o cliente pode fazer mais de um pedido ao mesmo tempo, ou seja, pedir uma comida árabe e outra italiana, por exemplo, pagando uma única taxa?, diz. As taxas de entrega variam de acordo com o bairro e vão de R$ 3,20 a R$ 4,70. A partir da central é possível adquirir até rifas de bingos, mas a experiência mais curiosa que os sócios dizem ter participado foi de um processo de licitação para confecção da farda dos policiais do Corpo de Bombeiros de Alagoas. ?Abertas as inscrições, fomos procurados por uma empresa de Salvador (BA) interessada em participar. Para não enviar ninguém de lá, eles pediram que os representássemos. Um funcionário nosso passava todas as informações por telefone do local onde o processo ocorria. A empresa ficou em segundo lugar?, relata André Sampaio. ### Consumidores buscam comodidade e segurança Comodidade é o que leva muitas pessoas a optarem pelo serviço de delivery, como atestam os empresários que mantêm o sistema. Fugir do trânsito e da violência vêm em segundo lugar. Para quem contrata o sistema, um dos objetivos, além de aumentar o lucro, é escapar das obrigações trabalhistas com funcionários, já que a central de entrega em domicílio trabalha com oito motoqueiros diariamente e 35 nos fins de semana, além de 12 funcionários permanentes no escritório, que funciona na Jatiúca. ?A tendência é de crescimento, porque a central tira do empresariado o vínculo empregatício que ele manteria ao contratar um motoboy para fazer as entregas, sem contar com os riscos de acidentes?, diz André Sampaio, destacando a economia e praticidade do serviço. A pretensão agora é expandir o negócio para o interior do Estado e o primeiro município a ser contemplado é Arapiraca. CINEMA EM CASA A central mantém contato ainda com uma empresa de locação de DVDs que está em fase de implantação de um site onde o cliente poderá acessar e escolher o filme que deseja assistir. ?No site, o cliente vai dispor de um catálogo com uma variedade de filmes. Basta escolher, ligar para a central e fazer o pedido que um motoboy levará em tempo hábil?, revela o empresário André Sampaio. NR ### Pequenos também fazem entrega Imagine estar em casa, discar e pedir uma paella, comida típica da Espanha, a qualquer hora em Maceió. Pelo sistema de delivery isso é possível. Mas a entrega em domicílio não se limita aos grandes restaurantes e pratos mais sofisticados. Na periferia e centro da cidade também é possível dispor do serviço em bares, restaurantes, lanchonetes, sorveterias e até em quiosques. De moto ou de bicicleta o produto vai onde o cliente estiver. No Conjunto Salvador Lyra, localizado no Tabuleiro do Martins, Delano Jatobá, dono de uma pizzaria, diz que só não atende o bairro do Centro, pela distância. ?Esse é um ramo promissor. Aqui, por exemplo, tivemos um aumento de 20% nos pedidos para entrega em casa, principalmente no inverno quando as pessoas ficam mais acomodadas e em função do aumento da violência?, afirma. Além das pizzas, ele oferece petiscos diversos, que também pedem pedidos em casa. Pelo serviço cobra uma taxa de R$ 2 e mantém dois motoboys. O ramo de doces e salgados é outro que encontrou no delivery a opção para aumentar o lucro. No Centro de Maceió, a proprietária de uma distribuidora de doces e salgados, Helena Ferreira, que há seis anos trabalha no ramo, acredita que ?este é um mercado que tende a crescer, apesar da concorrência?. Diariamente, ela revela que atende cerca de 100 pedidos para entrega em domicílio. A procura pelo serviço, segundo diz, é de 30% a 40% no mês de agosto em relação a julho. E as entregas não se limitam a grandes pedidos. ?Já entregamos até três coxinhas. Era nossa rota e não podíamos deixar o cliente na mão?, afirma Helena Ferreira. Entre a lanchonete e a distribuidora, são mantidos oito funcionários. ?Cobramos apenas o valor do salgado para entrega em casa, ou seja, R$ 0,65, mas se o bairro for muito distante do Centro, cobramos R$ 1,00.|NR ### Delivery: nem sempre sob duas rodas e capacete Unir o prazer da leitura à comodidade de não precisar sair de casa para comprar um livro tem sido a opção para os que preservam o hábito de ler. Pioneira no serviço de delivery, uma livraria localizada no Centro de Maceió costuma entregar até sete livros por dia a partir de pedidos por telefone. A entrega é feita pelo dono do negócio, o empresário João Fernandes há 29 anos no ramo. Ele segue no próprio carro para os bairros mais distantes. ?Já fiz entrega em locais de difícil acesso, que demorei para encontrar, mas esse é um serviço que espero expandir para atender uma clientela cada vez maior?, diz. Os pedidos são entregues logo depois que a loja é fechada, por volta das 19 horas e os principais clientes, segundo João Fernandes, são as mulheres. ?Acredito que pela comodidade e segurança, já que com a violência as pessoas se inibem cada vez mais de virem ao Centro?, observa. Pela entrega é cobrada uma taxa adicional de R$ 3. A jornalista Iranei Barreto está entre as pessoas que costuma recorrer à comodidade do delivery. ?Já pedi livros e freqüentemente peço lanche e água mineral em casa. É prático e em geral não costuma demorar?, diz. NR ### Delivery aquece negócios de sorveteria Há 15 anos, o advogado paulista Carlos Régis Eduardo trocou São Paulo por Maceió, onde instalou uma elegante sorveteria na Praia de Pajuçara. O negócio deu certo e hoje ele diz que mantém uma clientela fiel, que, além de freqüentar a sorveteria com assiduidade, faz pedidos também em casa. Por dia, o empresário revela que são entregues entre 10 e 15 pedidos e, nos fins de semana, 30 ou mais. ?Optamos pelo sistema de delivery há dez anos e hoje temos um público fixo?, afirma Carlos Eduardo. Para garantir as entregas e a produção própria, ele mantém 25 funcionários, entre a fábrica e a loja na orla de Maceió. A partir de um litro, que custa R$ 9,50, é possível receber uma variedade de sorvetes em casa, já que a empresa oferece 70 sabores. ?O cliente escolhe os sabores que desejar. Só aconselhamos não misturar muito para não perder o paladar?, observa Carlos Eduardo. No bairro da Serraria, o serviço de entrega domiciliar também impulsiona os negócios de uma pizzaria, estabelecida há 10 anos em Maceió, Arapiraca e São Paulo. ?O serviço representa entre 45% e 55% de nossas vendas?, diz Humberto Pereira, que costuma atender nos fins de semana 200 pedidos por dia para entrega em casa, o que é feito sem taxa adicional. |NR ### Agradar a clientela acima de tudo Mas e o que dirão os habituais consumidores da tradicional tapioca que não puderem se deslocar até a orla ou outros pontos da cidade para saborear a guloseima? Em Maceió isso não é mais problema. O produto pode ser levado em casa. E o curioso: de bicicleta. Dona de uma barraca de tapioca na Jatiúca há dez anos, Maria da Glória de Araújo, 50, decidiu apostar alto no investimento e hoje faz entregas em domicílio. Com a ajuda de um funcionário, responsável também pela montagem da barraca, ela diz que atende pedidos para levar em casa, mas adverte: ?Só se for perto?. ?De bicicleta não dá para ir longe?, destaca dona Glória, que, com a renda da tapioca, já comprou dois carros e mantém cinco funcionários. Os pedidos são feitos pelo celular dela, mas ainda são considerados acanhados, já que, segundo ela, as pessoas ?preferem ir à orla comprar a tapioca?. A propaganda é feita corpo a corpo, pela própria tapioqueira. Na alta estação, ela vende 300 tapiocas por dia e na baixa temporada, 100. Os preços vão de R$ 1,50 a R$ 4. Orgulhosa do ofício, dona Glória lembra que há anos a filha largou a carreira de auxiliar de enfermagem para se dedicar à produção de tapioca. ?Graças a Deus vive melhor do que antes?, garante.|NR ### Empresas contratam reforços nos fins de semana Para atender ao mercado e a empresários que preferem não recorrer à central de delivery, mantendo por conta própria o serviço de entrega em domicílio, algumas empresas instaladas em Maceió oferecem motoboys. O delivery de motos é feito a partir da assinatura de um contrato, que garante direitos e deveres a quem ?aluga? as motos e os motoboys. Farmácias, pizzarias, restaurantes e até bancos estão entre os principais clientes das empresas que mantêm esse tipo de serviço. Reservados, empresários do setor preferem não falar em lucro, tão pouco revelam quanto cobram pelo aluguel das motos. A maior procura é nos fins de semana e feriados prolongados quando costuma aumentar o movimento em bares, restaurantes e lanchonetes. Em geral, nesses dias, os empresários tendem a recorrer ao delivery de motos para atender a demanda. TERCEIRIZAÇÃO Em um tradicional restaurante de comida chinesa de Maceió (franquia), três a quatro motoqueiros, além dos oito que trabalham na casa, são contratados somente para os fins de semana, quando os pedidos duplicam. ?Normalmente entregamos cerca de 150 pratos e, nos fins de semana, atendemos uma média de 300 pedidos, por isso temos que refoçar a equipe?, diz o funcionário Ronaldo Cabral para quem o ?mercado de delivery aumentou 60% nos últimos três anos?. Com uma taxa que vai de R$ 1,60 a R$ 7, é possível receber em casa os tradicionais pratos da culinária chinesa. ?Vale a pena pela comodidade e agilidade do serviço?, diz Ronaldo Cabral.|NR

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